Personagens da Nossa História I
Ismael Rielli.
Por menor que seja a cidade, o distrito, o povoado, ali sempre haverá algumas pessoas que se destacam e deixam seus nomes gravados. O inventor do mundo era muito inteligente, arguto, de muita visão, quando distribuiu os dons pros humanos: cada um com o seu, nas mais variadas profissões, que sempre mudam com o desaparecimento de algumas e surgimentos de novas.
Nossa Água Quente, Thermas (Isterma para os caipiras), hoje Águas de Lindóia (eu preferia Thermas, muito mais chique, muito mais poético) na sua curta história foi chão de muitas personagens interessantes, em profissões, às vezes, extintas hoje.
Se a musa me inspirar e a memória não falhar vou falar de: parteiras, benzedeiras, leiloeiros, mágicos, músicos, atletas, engraxates, porteiros, comins, garçons, maitres, cozinheiros, costureiros, telefonistas, matadores de frangos, agenciadores, motoristas de ônibus-Cometa, Socorrense, Expresso Brasil, Pau de Arara.
Valentões, ébrios, mentirosos, mudos, loucos, charreteiros, alugadores de cavalo, farmacêuticos, passadores e passadeiras, juízes de futebol, boticários.
Entre o Bar do Cueca e a Loja do Adelino, no meio da Rua Duque de Caxias – hoje Rua São Paulo – bem no coração da Água Quente -, havia uma viela que dava acesso a uma comunidade compacta: comercial, residencial e religiosa.
Bem atrás da casa do Adelino ficava a Igrejinha da Nossa Senhora do Monte Nero. Azul, destacada das outras, a casa e o açougue do Ricardo Candreva.
Na fileira de casas geminadas estavam o consultório do dentista Ovídio, que não era dentista formado: era prático e vinha, de moto, de Monte Sião para cuidar da boca de nossa gente. Na ponta da Vila, a sapataria do Nato Renzo da Tina, junto à sua morada, com os filhos Dirce, Dorival, Zé Mário, Natinho e Maria.
Depois vinham as casas do Dito Boava – roçador de pasto, marido da Maria Boava, ao lado das filhas e genros:
– Julinho Dorta, marido da Maria – pais das Cecilinha, da Sônia e do Toninho.
– Meu primo Nene Zucato, casado com a Bastianinha e sua prole: Ademir, Ditinho, Maria Emília, Cláudia, Robertinho, Luis Henrique, Carlos Eduardo.
– João Barbosa, construtor, marido da Pascoalina, pais de Maria Antonia, Isabel Cristina, João Batista, Orlando e Roseli.
Dos filhos da Maria Boava só a Rita e o Vicente não moraram nessa vilinha, onde também morou Alfredão do Parque e Dona Antonia, que tinham a barraca de Tiro ao Alvo, onde hoje está a loja Personalitá.
Cido Fabri, o marceneiro Xerém, marido da dona Júlia, pai do Osmir também moravam ali.
As vizinhas Magali do Adelino, Nazaré do Ricardo e Cecilinha do Julinho eram amigas inseparáveis.
Perfilados, robustos eucaliptos atrás da boate Saint Paul, serviam para os fregueses do açougue do Ricardo e da Casa Confiança – Secos e Molhados, do outro lado da rua, amarrarem seus cavalos.
O Hotel do Lago, construído em duas partes, que se acoplaram, em obras de duplicação num terreno pantanoso onde se fincaram enormes toras de eucaliptos era lindeiro desse bairro onde, felizes, irmanadas viviam várias famílias tradicionais da nossa Água Quente
Esse pedaço sagrado do coração das Thermas de Lindóia, hoje abriga estacionamento e piscinas do Hotel do Lago.
,

Hotel do Lago atualmente
