Homenagem ao Aires Antônio Pereira -Personagens da nossa história N24

Homenagem ao Aires Antônio Pereira -Personagens da nossa história N24

Texto: Ismael Rielli. – Digitação, fotos e revisão, Rodrigo Martins e Ismael Rielli.

No fim da praça Cavalinho Branco, anexa a ela há uma pracinha onde nasce a estrada do Morro Pelado.

Era ali que o Gordo da Bastiana passava os seus dias.

Aires Antônio Pereira, mais conhecido por Arizinho (não era Ari, era Aires) e sobretudo como Gordo, o Gordo da Bastiana para os íntimos.

Arizinho fazia parte da geografia do Cavalinho Branco, onde nasceu, na Vilinha do Metro Hotel.

Viveu seus 57 anos (não estava na hora de partir, tão cedo) sempre no Cavalinho Branco, num raio de menos de 500 metros. Nasceu na Vila do Metro, (seu pai santista Antonio Baiano – era funcionário do hotel) e lá viveu até a demolição da Vilinha. Foram contemplados com uma casa no morro, no começo da Rua Boa Vista, sua segunda e última morada, com a batalhadora mãe, a Bastiana, filha do engraxate Cheque, encarregado da limpeza do centro telefônico da Rua São Paulo, sempre carregando sacolas. Com a morte da mãe dividiu a morada com o irmão Alexandre. As irmãs Andréia e Alinice já tinham suas próprias casas.

O gordo era querido, muito estimado, por gregos e troianos, pobres e ricos, crianças, adultos e idosos. Tinha uma legião de amigos, conhecia todo o mundo e mais um pouco.

Passou a vida negociando. Vendendo, comprando, escambando.

Era especializado em cavalos e pôneis, mas negociava carros velhos, cabritos, porcos, vacas, perus, galinhas, ganisés, charrete, trole, bagageiras, bicicletas, antiquários, panelas e caçarolas de ferro, celulares, aparelhos de som, quadros de pintura, arreios de cavalos e de charrete, mulas de raça, cavalos de raça e pangarés. Erguia-lhes os beiços e detectava-lhes a idade.

Nos bancos da pracinha recebia os amigos, os negociantes, os parceiros, os fornecedores, os compradores. Ali vendia e trocava cavalos, pôneis, charrete, bicicleta.

Exímio ferrador de cavalo.

Seguidinha comprava muidos de porcos e preparava sarapatéis e nos ofertava tigeladas suculentas. Gostava de linguiça e comprava-as por todos os cantos, especialmente pras bandas de Eleutério, onde tinha amigos com quem vivia negociando. Ultimamente não tinha carro, mas não lhe faltavam caronas, especialmente do Adão que o levava pra todos os cantos.

Dos vitrôs de casa, todas as manhãs víamos o Gordo descendo, de bermudas e havaianas, com o balde plástico com farelo para alimentar os poninhos que tratava com carinho e esmero. Gordo não percorre mais a calçada ermia, ultimamente andava aborrecido com o sumiço de vários cavalos de sua tropa.

As crianças – tinha uma legião de fregueses, adoravam-no, pois com ele, paciencioso, aprendiam a cavalgar.

Gordo emagreceu e foi-se em menos de 2 meses.

Deixa muita saudade.

A mesma praça, o mesmo banco

As mesmas flores, o mesmo jardim

Tudo é igual, sqn, falta o nosso amigo Aires.

As castanheiras da Escola dos Francos

As castanheiras da Escola dos Francos

José Alaercio Zamuner

Vai longe o tempo em que a escola dos Francos tinha muitas castanheiras que subiam verdes e frondosas, e em uma época do ano, encobriam toda entrada da chácara e frente da escolinha. Lembro-me que havia também muitas outras frutas. A escola ficava no meio de um pomar. O Bastião Pir era o cuidador, não deixava as crianças estragarem as frutas: laranjas, mangas, bananas, caquis, abacates, tudo compondo a área na soma com livros e professores para sustentar as fomes das crianças: de alimento e saber, plano bem estudado, calculado por Vovó Lili, que um dia doou a chácara para esse fim: alimentar as crianças de suas fomes na ESCOLA DOS FRANCOS.

Bom, assim foi bem pensado, assim seguiu esse plano da Vovó Lili. Porém, crianças são sempre crianças, e em épocas de castanha madura (deve-se explicar, essa castanha era a da qualidade pecã, que fica muito alta e ao estar pronta, madura, caía de seus cachos com o vento.) Então, as crianças lá dentro da sala de aula, castanheiras lá fora, cachos secos, prontos a qualquer movimento, as crianças sabendo disso, professora explicando os pontos da cartilha Caminho Suave: “Qual é o pé mais rápido do mundo??”, tempo de castanha madura, e sempre vem pé de vento forte na subida dos Francos, e vinha pé de vento forte… Ah, a criançada de meninos e meninas (Filhos dos: Franco, Satiro, Bressan, Ferla, Carinta, Borba (Joaquim Bertina), Gâmbaro, Silva, Dizeró, Genciani, Camilo, do seu Zico Tropeiro…) saíam desembestados colher as castanhas, professora, Bastião Pir, serventes gritando cuidados. Voltavam com bolsos cheios. O cuidado seria para que alguma criança, mais afoita, não atirasse paus nos cachos para derrubar mais castanhas: só se via a criançada corre que corre, ágeis, cata que cata (essa é minha, eu vi primeiro!) as delícias que forravam o chão de alegria.

Isso tudo dentro da área da escola, mas como as castanheiras ficavam bem na beira da estradinha que sobe pros Pimenteis, as pessoas outras, os adultos do bairro também vinham em mutirão catar as castanhas que vinham voando alimento pelo céu dos Francos.

Um dia, o Chã-Chã, filho do seu Zico Tropeiro, jogou um pedaço de galho seco num cacho de castanha, o galho voltou e caiu na cabeça do Julião, sangrou um pouco. Não houve transtorno, principalmente porque o Chã-Chã era um menino especial, de juízo muito mole mesmo.

O que fica com tudo isso é uma enorme alegria de crescer num lugar que foi moldado exato para suprir as fomes primeiras do homem: fome de alimento, fome de saber e fome de alegria, que as crianças cresciam saciadas em quantidade mil, tudo pensado, formado e doado pela Vovó Lili, dona da alegria dos Francos, das Terras de Cantare.

– Deus lhe pague, Vovó Lili!!…

Escolinha dos Francos sendo reformada.

Posto de saúde do bairro dos Francos.

Histórias do Barreiro – O namoro

Histórias do Barreiro – O namoro
  • Marilene Rodrigues de Oliveira

A festa corria animada, casais conversando, as “cumadres” colocando a prosa em dia, atentas as filhas. Um olho no peixe e outro no gato, quando se tem moça “sorteira” em casa todo cuidado é pouco.

Estamos no bairro dos Palmeiras, década de 40, época de costumes rígidos, moça de família não fala com estranhos, beijar na boca só depois de casados, pegar na mão só após o noivado com muito acordo.

Zico, sentado em um banco, observava a linda morena de olhos morteiros que escutava entediada a conversa de um rapaz alto e magro. Zico matutava, “Como vou chegar na moça”.

Nisso um amigo se aproximou, o Toninho Rufino.

___ Toninho, conhece aquela morena conversando com o João?

___ É a Cida, é irmã da minha namorada, Eurídice. A gente namora escondido, o Joaquim Godoy, pai das moças, é uma fera. Porque pergunta?

Está interessado nela por acaso?

___ Interessado eu estou, mas ela tem namorado respondeu Zico. ___ Namorado?! Que namorado? O João arrasta um boi com chifre e tudo por causa dela, mas olha o jeito da moça. É de moça apaixonada, por acaso?

___ Você tem razão. Mas como vou me livrar do João? ___ Deixa comigo

Dizendo isso, sumiu por alguns instantes. Quando reapareceu, Toninho dirigiu-se ao casal, Cida e João, e disse alguma coisa ao rapaz, que saiu correndo em direção a estrada.

Toninho, pegando a moça pelo braço, a trouxe até o Zico, e os apresentou. Em seguida se despediu, dizendo:

___ A ajuda de hoje não vai ficar de graça, você tem que me ajudar com o Godoy.

____ O que ele quis dizer? perguntou a Cida,

____ Nada, nada tonteira dele. O que ele falou para fazer seu amigo sair correndo daquele jeito, Cida?

____ Ele só fez o favor de avisar que o cavalo do João se soltou e fugiu, nessas alturas João e o cavalo devem estar no Bairro dos Francos, um correndo atrás do outro.

Ficaram em silêncio. “E agora, o que eu faço, preciso impressionar ela?”, pensou Zico e repente teve uma ideia luminosa.

____ Cida você conhece o Paraná?

Diante da negativa da moça, ele começou a narrar as aventuras de uma viagem que fizera à fazenda de seus parentes no Paraná. Contou como subiu no girau para fugir de uma onça enormeeeee, como matou uma cobra de não sei quantos metros. E a cada aventura narrada o nosso herói crescia diante dos olhos da moça. No fim da festa, ele se ofereceu para acompanhar, ela, sua mãe e irmã até em casa. Recusar a companhia de um herói de tal porte nem pensar. Assim começou um namoro, que resultou em casamento .

Meses depois, já casados, Zico necessita fazer uma cirurgia em Serra Negra e comenta:

___ Nossa! Cida eu não conheço Serra Negra, só conheço Socorro e Lindóia.

___ Comooooo? E a viagem ao Paraná, a onça, a cobra e tudo mais?

Nosso herói distraído, esquecido das mentiras, responde:

____ Que Paraná, que cobra, que onça? Do que você está falando, Cida?

Marilene Oliveira.

Sertãozinho anos 50.

Família Godoy.

Os Gavazzi – Personagens da nossa históriia N23

Os Gavazzi – Personagens da nossa históriia N23

Ismael Rielli e colaboração Rodrigo Martins e Alda Gavazzi Credídio.

Vieram da simpática cidadezinha de Le Piaste, próxima a Pistóia, não muito distante de Firenze, na Toscana, Itália

O casal Nazareno (carvoeiro) e Pia tiveram 3 filhos homens: Aldo, Domicio e Marcelo.

Aldo, o primogênito nasceu em Le Piaste em 1914. Espirito aventureiro, com 12 anos abalou-se para Genebra, na vizinha Suíça, para, na Escola Genebrina, enfronhar-se com a hotelaria. Tornou-se um exímio barman.

Na África, combateu na guerra da Abissínia – Colônia Italiana. Perambulou pelo mundo, andou pela França e Canadá até desembarcar no Brasil, no Porto de Santos em 1936 com 22 anos.

Barista de mão cheia, conheceu, em São Paulo, Benjamin Feimberg, arrendatário do nosso Hotel Glória que lhe fez tentadora proposta e ele pra cá veio, de mala e cuia. O destino reservara – lhe Nilza, com quem se casou e, com o sogro, Joaquim Roque, construiu o Hotel Guarani.

Já com duas filhas, Alda e Alida, voltou pra Itália, onde ficou 3 anos. A saudade bateu forte e Nilza quis voltar.

Em Santana, na capital, na Rua Duarte de Azevedo morou e abriu uma imobiliária.

Com reveses, desde o acidente da filha Alda, com 18 operações nas pernas, voltou pra cá e morou no Parque Hotel, do irmão Domício. Foi também arrendatária do Hotel Yara, dos Ancona.

Na Rua Boa Vista instalou sua chácara, num aclive, de onde, acometido por um mal súbito, despencou com sua variante. Viveu relativamente pouco mas, intensamente. Um Italiano arretado.

Domicio, o irmão do meio, veio a convite do primogênito e logo se casou com Rute, cunhada do Aldo, irmã da Nilza, filha do Joaquim Roque, construtor do Hotel Guarani.

Bom de bola, como Fausto, o filho único. Defendeu as cores do Estância Azul, cujo guarda valas era o Irmão Marcelo.

Como todo bom Italiano, gostava muito de bocha. Alegre, feliz tinha muita facilidade para ampliar o circulo de amigos.

Inicialmente trabalhou com o irmão no Hotel Guarani, depois arrendou o Parque Hotel (atual sede da prefeitura) onde, ao lado da esposa Rute, passou grande parte de sua vida.

Depois do Parque Hotel mudou-se pros Francos e foi cuidar das granjas do irmão caçula, Marcelo. Foi nos Francos que sofreu um grande golpe ao presenciar o esmagamento da netinha querida, Bruna, debaixo de um botijão de gás. Essa trágica acontecência ceifou-lhe a alegria de viver.

O caçula Marcelo – Marcelão – goleiro do Estância Azul, tinha azouque nas veias. Homen de sete instrumentos atuou em várias áreas: comércio, pecuária, agricultura, construção civil, granjas de frangos e de porcos e ainda reservava um tempo pra seu esporte predileto – a bocha e pras escapadas pro rancho de Careaçu. Quase todos os anos atravessava o Atlântico para matar a saudade de sua Le Piastre, onde mantinha uma bela morada, um sobrado bem localizado na rua principal da cidadezinha, bem pertinho da igreja onde a filha única Marcela se casou com Roberto.

Foi proprietário do aristocrático Bar Guarani, do esquio Bar Estância Azul, ao lado da Casa dos Presentes e da Lanchonete Lindóiense – atual Santander, com bucólica área anexa, com algumas árvores – hoje Bar Balão e Farmácia do Alceu.

Picando lenha na serra, perdeu um dedo. No sítio dos Pimentéis criou bois estabulados e porcos landrace.

Cultivou vastos cafezais no Sítio São Miguel no Jabuticabal. Ali a espaçosa casa sede foi palco de festas e casamentos, de encontros sociais, onde, mais tarde, Tita, exímia cozinheira instalou um restaurante.

Os pavilhões de granjas ficavam nos Francos e nos Pimentéis.

Devem-lhe muito os bairros dos Francos e do Sertãozinho. Ele contribuiu com o progresso desses dois bairros, com a construção de vários prédios comerciais e residências, inúmeras casas, um boliche (Creche Bruna Gavazzi).

Casado com Terezinha, só tiveram uma filha, que tinha que se chamar Marcela, um doce de criatura.

Marcelão veio da Itália pra ajudar a alavancar o progresso de nossa terra .

Deixou raízes, muitas raízes por todos os quadrantes.

Obrigado, saudoso Marcelão.

Diferentemente das antigas famílias Italianas, sempre numerosas, os Irmãos Gavazzi tiveram poucos filhos: Aldo 2 filhas e quatro netos; Domício 1 filho e 4 netos; Marcelo uma filha e um neto.

Ainda a Rua Duque de Caxias – Personagens da Nossa História Nº 22

Ainda a Rua Duque de Caxias – Personagens da Nossa História Nº 22

Texto do Professor Ismael, para os jovens conhecer e os mais velhos recordar.

Texto: Ismael Rielli.

Digitação e revisão: Ismael Rielli e Rodrigo Martins.

Foto: João Eduardo Biscuola.

Ainda a Rua Duque de Caxias

Ela nascia na Biscuolada, atual SAAE, de um lado e a Vila Roberto, do outro.

Roberto kutchat, um dos donos da Brahma, acometido por forte erisipela foi parar na Alemanha para se tratar.

Ao saber que o paciente vinha do Brasil, o médico puxou-lhe a orelha. “volte logo para sua terra. Procure as Thermas de Lindóia; beba e lave-se com aquelas águas”.

Em 15 dias ele estava curado.

Encantou-se, apaixonou-se por nossa terra e aqui investiu pesado. Comprou vasta gleba dos Gianotti antigas terras de Mário Giovanolli e ali instalou a Vila Roberto com casas ao estilo alemão, com telhados íngremes (infelizmente desfigurados hoje). Na parte alta do terreno edificou sua morada, uma imponente casa de sapé, a famosa “Casa da Alemoa”, a casa da Madame kutchat.

Na área não edificada plantou em aléias, um bosque de cipreste.

Nas fraldas do Morro Pelado adquiriu uma bela fazenda, onde edificou sua casa de campo e várias outras pros colonos. Em poucos anos construiu muito. Impulsionou o progresso das Thermas de Lindóia.

Naquele tempo o jogo era permitido e o magnata Kutchat era um assíduo frequentador do nosso cassino.

A gleba do kutchat terminava embaixo na casa da Jupira, em cima no Hotel da Jupira, Bela Vista. Não é à toa que a rua que os separa é a Rua Alemanha, homenagem ao mega investidor.

A casa da Jupira ficava bem na esquina e tinha uma área em arco na entrada. No lote contiguo Jupira e Albertino cultivavam uma bem variada horta.

Depois vinha a casa do Julio Calderoli, dono de um Studbaker. Tinha uma área pergolada em toda frente. Durante muito tempo foi a morada da família do Roberto Daurea.

A seguir o saudoso e glorioso grupo escolar com 4 classes. Chegava-se a elas por uma escada de alguns degraus e, pelas laterais, os alunos acessavam o pátio da escola.

Amplo corredor separava a diretoria à direita e o gabinete do dentista Dadinho, à esquerda, depois vinham as 4 salas de aula. Duas de cada lado. No galpão do pátio formavam-se as 4 filas e antes de entrar nas salas cantavam-se sempre um hino ou uma musica infantil como a do Gate Galinho.

“Há três noites que não durmo

Pois perdi o meu galinho”…

No fundo do pátio o banheiro feminino à esquerda e o masculino, à direita, perto da cozinha, onde sozinha, a Maria Bossi preparava a sopa de fubá, de macarrão e às sextas feiras, alternadamente, arroz doce e canjica.

Na meia hora do recreio os alunos podiam falar, gritar, brincar. As meninas pulavam corda, os meninos jogavam bolinha de birola ou de triângulo. Pegavam um pra cristo, em quatro segurando o indigitado pelas pernas e pelos braços, conduziam – no à Coréia (que a gente nem sabia bem o que era ou se estava em guerra) a Coréia ficava na frente do grupo, à esquerda de quem entrava, onde depois o diretor Edward construiu um aquário.

Depois do grupo vinham dois belos sobrados que chamávamos “As casinhas do Tamoyo”. Numa delas residia o Dr Walter Fachini, prefeito nomeado naquela época; na outra morava Domingo Forraz, concunhado do Pedro Fachini e gerente geral do imponente Hotel Tamoyo que depois se ampliou, engolindo os dois bangalôs e também o nosso inesquecível grupo escolar trocado pela construção de uma nova escola, o nosso atual Francisco Tozzi.

Hotel Tamoyo – Águas de Lindóia 1960.

João Eduardo Biscuola.

O Espigão da Duque de Caxias -Personagens da Nossa História N21

O Espigão da Duque de Caxias -Personagens da Nossa História N21

Depois do Cine Yara, de saudosa memória, vinha o casarão do Aristides, que morava nos fundos e a parte da frente, bem no coração da cidade, abrigou a agencia da Cometa, capitaneada pela Carola que atendia também ao ônibus amarelo do Granato, pilotado pelo Plínio, que saia ás 11 pra Bragança e depois , durante muito tempo, a loja do Paulo Fernandes, bem surtida.

Uma mulata risonha, de nome Tiana, agregada dos Riciluca, fazia parte integrante do pedaço e, na calçada, o artesão Pedro Riciluca, especializado em caixas de engraxates, exibia suas engenhocas com destaque pra um encantador monjolinho. Anexo ficava o Bar Central dos Matielos, depois do Frederico Fazoli e do João Raimundo. Foi também do Virgilio Pedroso e do Zé Davi, um bar muito movimentado com muitos comes e bebes, sorvetes, com vitrines de doçes de dar água na boca. Nós, crianças de classe média, nos restringíamos ao setor de sequilhos, quindins, creminhos, bom bocados, maria mole, pé de moleque. A ala dos chocolates com tabletes envoltos em fotos de paisagens europeias, sonho de valsa não eram pro nosso bico.

Num cômodo escuro anexo, Frederico instalou uma televisão que atraía grande público, principalmente nos jogos de futebol, Frederico foi o pioneiro da TV em nossa terra.

Encostado ao Bar Central ficava o Bar da Nega do Berto que foi também dos irmãos Zé Berto e Joaquim Paulino e do Chiquinho. Zé Paulino morava no fundo do bar e foi lá que meu amigo coevo Hélio, na flor da idade , perdeu a vida picado mortalmente por um escorpião. Muitos anos depois, outro escorpião levou a filha do Zé Sapateiro. Vendendo deliciosos sorvetes de coco branco e coco queimado Chiquinho conseguiu formar médicos e professor seus filhos.

A calçada do Bar da Nega terminava abruptamente pouco antes da loja do Salim. Uma vielinha estreita dava acesso a um animadíssimo rancho com duas raias de bocha palco de homéricos campeonatos com funcionários de hotéis nos seus intervalos de folga entre almoço e janta. Depois vinha a turma da noite. O Ranchão da Bocha pertencia ao Bar da Nega.

Então o Salim resolveu implantar o Hotel Central – explorado pelo João Raimundo, o João do Bar.

Naquele então a cal que se usava nas construções eram matacões de pedras oriundas das fornalhas da Pedreira Fortaleza, ali da Ponte Preta.

O representante da Fortaleza aqui era o Edmundo Damaso com, seu depósito na Rua Zéquinha de Abreu, hoje Espírito Santo.

Ajudante de caminhão do meu irmão, amiúde íamos buscar cal na Fazenda Fortaleza.

Ao lado das construções abriam-se mini piscinas onde se depositava a cal em pedras, que ferviam com água que se jogava nelas. Para facilitar a operação instalava-se uma torneira na borda do buraco.

Sedenta, ao sair do grupo escolar, Jandira Pedroso foi tomar água na torneira, escorregou e caiu no poço e até ser retirada teve terríveis queimaduras no corpo inteiro.

Embrulhada em folhas de bananeiras sofreu muito no longo tratamento, com marcas indeléveis para sempre. Foi uma acontecência que traumatizou nossa Thermas de Lindóia.

Fotos: João Eduardo Biscuola.

Subindo a Duque de Caxias. -Personagens da nossa história Nº20

Subindo a Duque de Caxias. -Personagens da nossa história Nº20

Obrigada, professor Ismael Rielli e Rodrigo Martins.

Depois da farmácia do Dr Humberto vinha ampla construção do Domingo Ferraz, cunhado do Fachini e gerente do Hotel Tamoyo. Várias lojas com residências na parte de cima. O sobrado ocupava e ainda ocupa um bom pedaço da Duque de Caxias e descia pela Zequinha de Abreu – hoje Espírito Santo.

Nas residências do sobrado moraram as famílias do dentista Agnaldo, do João Batista e da Maria Mapa, da Inês Maganha, pontos privilegiados para assistir os desfiles cívicos e carnavalescos.

Numa das lojas compridas funcionava o Bar Estância Azul, do Constante Fiore. Era lá que se comemoravam as vitórias do Palmeirinhas. Vitorioso, uma multidão acompanhava os Heróis do Campo Amor – Praça Adhemar – até o Bar do Constante, técnico do time. Lembro-me bem da defesa: Luizinho, Nico e Décio, Claudio Renato e Lambari. Alguns continuam fortes e rijos: Luizinho no Rio Grande do Sul, Cláudio na Grécia e Renato em Madureira, no Rio.

Frequentador diário do Bar do Constante (que foi também do Marcelão) o Guilherme que tinha dois carros pretos, um Pakard e exibia sua carteira recheada de dinheiro. Comentava-se que teria sido essa a causa de seu terrível assassinato ao lado da companheira dona Clara. Chamavamo-lo de Pitudo.

O sobrinho do dono – Feliche ocupava com sua famosa casa de presentes duas lojas.

Esse prédio sediou também a casa de chocolates Mathias, uma loja chique do Daniel Cobra, O Fino da Roça, O Banco do Estado, uma loja de bolsas e, por décadas o salão de beleza da Helena.

No apartamento de acima do salão morava o proprietário Domingos.

Na esquina da Duque de Caxias com a Zequinha de Abreu (atual Edifício Vera) havia um campinho onde brincavam as crianças das populosas Vilinhas do João Frederico.

Foi ali que a Ablegada, influente, dinâmica Dona Araci instalou a famosa Boate Camelo, um rancho com tambola, quitutes, musica. A Boate Camelo não era uma boate. Era um ponto de encontro de moradores da terra e hóspedes. Uma feliz iniciativa para agariar recursos para a construção do Hospital. Tocavam a boate voluntários jovens e maduros. A Boate Camelo foi o mais exemplar, o mais envolvente, o mais puro movimento social que conheceu Thermas de Lindoya. E o hospital lá está sólido e altaneiro no pé do morro. É claro que não foi construído só com a arrecadação da boate. A campanha alastrava-se por todos os quadrantes. Ganhava bezerros que viravam bois eirados num pasto do Brejal. Dona Araci, amiga íntima de influentes políticos, conseguia deles importantes ajudas, polpudas verbas merecidamente. Dona Araci viveu seus últimos anos num apartamento do hospital, cercada de muito carinho das Irmãs.

E então chegamos ao Cine Yara, durante cuja construção Thermas de Lindoya assistiu ao mais trágico acidente de sua história: a queda do Platibanda que ceifou duas vidas, numa tarde de 6 de janeiro de 1953.

Zé Pinanti morreu eletricutado pela rede de alta tensão rompida pelo andaime.

Arlindo, irmão do canecão, (o famoso goleiro do lago) morreu também na hora sob enorme viga que Canecão, urrando, tentava erguer meu sogro, Zéquinha Renzo, todo quebrado foi levado pra farmácia do Guerino. Sofreu muitas quebraduras, mas, felizmente sobreviveu. O servente Zé Caneca desceu meio por cima de tudo e teve apenas um dente quebrado.

Eu ouvi o pavoroso estrondo e vi a imensa nuvem de poeira que se levantou. Estava ali perto, no ponto de aluguel de cavalos, na hoje Praça Adhemar, perto da jaqueira e da banca espírita. Todos corremos para ver

aquela cena dantesca indelével da nossa história.

“02 DE JULHO – DATA DE NOSSA FUNDAÇÃO”

“02 DE JULHO – DATA DE NOSSA FUNDAÇÃO”

Professor Quico Goulart.

UM POUCO DE NOSSA HISTÓRIA

“02 DE JULHO – DATA DE NOSSA FUNDAÇÃO”

Sempre me perguntam, por que foi escolhida esta data, como o dia da fundação da nossa Águas de Lindoia.

No dia 05 de Maio de 1918, foi lançada a “Pedra Fundamental” para o início da construção da nossa Igreja Nossa Senhora das Graças, pelo Dr. Francisco Tozzi, fundador de nossa Estância Hidromineral.

Realizou-se um ato público bem formal, com a presença de pessoas importantes da Igreja Católica (monsenhor, bispo, etc) e ilustres pessoas (conde, barão, políticos, etc) conhecidas, em nosso Estado.

Dr. Tozzi, sendo devoto de Nossa Senhora das Graças, fez com que trouxessem da Itália, a belíssima imagem da “Madonna delle Grazie”, escolhendo-a para ser a “Padroeira de nossa Cidade”, pois, era Ela, também, a padroeira de sua terra natal, (Vila Reíno da Cidade de Benevento, na Italia).

A Família Tozzi festejava com muita devoção esta Santa, no dia: 02 de julho. Assim sendo, adotou essa data para o DIA DA FUNDAÇÃO DA ESTÂNCIA, HOJE, ÁGUAS DE LINDOIA.

OBS:- dados tirados do livro da Miriam Tozzi: “A Cidade das Águas Azuis”

Voltando à Duque de Caxias – Personagens da nossa história N19

Voltando à Duque de Caxias – Personagens da nossa história N19

(Ismael Rielli com a colaboração do Dito do Banco)

Tínhamos parado na loja do Adelino.

Ao lado dela havia uma entrada que dava acesso à igrejinha de Nossa Senhora de Montenero, ao açougue do Ricardo, ao gabinete do Ovídio (que não era dentista; era prático, mas tinha grande freguesia), à sapataria do Nato Renzo e ás moradas da família da Maria Boava. onde está o Adibulk, um prédio sem garagens (naquele tempo a lei não exigia), Alfredão instalou o seu tiro ao alvo, onde trabalhavam a esposa, dona Antônia, o Geraldinho Ribeiro e o Luis Seragi, que depois virou o Luis do Correio. O parque do Alfredão funcionou também do outro lado da rua onde, mais tarde instalou-se o escritório do Neliton e do Hotel Mantovani, depois veio o Subsolo e agora abriga o Boulevard das Águas. Atrás do Tiro ao Alvo do Alfredo havia uma fileira de robustos eucaliptos, onde os fregueses da Casa Confiança amarravam seus cavalos.

O parque e Tiro ao Alvo do Alfredão tinha barquinhas movidas por cordas puxadas por dois barqueiros que se posicionavam um em frente ao outro, a bombordo e a estibordo.

No Tiro ao Alvo, com espingardas de chumbinho, ganhava prêmio quem abatesse patinhos que, lentamente, atravessavam um lago inexistente.

Nas várias prateleiras, sob as quais se estendiam largos lençóis, enfileiravam-se os mais variados maços de cigarro, a serem abatidos por rolhas disparadas por espingardas. Os lençóis protegiam o cigarro atingido, entregue ao atirador, nem sempre fumante.

Os mais baratos – Macedônia o mais vendido na época ficavam mais perto do balcão e portanto  mais fácil de cair.

Já os mais caros – Continental, Holywood, Chesterfield ficavam mais longe e exigiam mais tino e melhor pontaria.

Naquele tempo eram tantas as marcas de cigarro (José Serra, incansável combatente do tabagismo, ainda usava calças curtas) que as crianças colecionavam os maços vazios dobravam-nos com carinho para fabricar cintos coloridos, bem bonitos.

O Adibulk sediou a lanchonete Paula (boate St Paul) o Bar do Cueca, a Imobiliária do Amadeu e do Cueca (hoje Personalitá) a morada da tia Creme e de muitos outros moradores.

Em seguida, a montante, Guerino construiu seu segundo prédio que acolheu a Farmácia Nossa Senhora das Graças (hoje do Alçeu) o consultório de seus filhos dentista e analista de laboratório farmacêutico, o consultório da Anita, uma ala residencial no subsolo onde moraram Marcelo e Teresinha, a família do advogado Munir e a agencia do Banco Credireal de Minas Gerais, onde muitos de nossos jovens trabalharam:

O credireal

Funcionou de 1962 a 1988 e teve 6 gerentes:

1 – José Ribeiro de Andrade o Zé da Borda que instalou a agência e, aposentado, vive hoje em Ouro Fino.

2 – Mauro Bartholomei  

3 – Noel de Moura e Siva

4 – Nelson Silva que fez carreira e se aposentou como inspetor. Mora na Brasilia

5 – Benedito de Morais Godoi, o Dito do Banco, que ingressou na agência São Bento em São Paulo, onde trabalhou por 2 anos, transferiu-se pra cá, fez carreira e, por 12 anos, foi o gerente. Mora na Itália

6 – Porfírio Antônio Baganha

Trabalharam no tradicional Banco mineiro, do tempo do Império, que empregou muitos jovens de nossa terra:

Alice Prado, Carlos de Souza, Claudete Néspoli, Ediméia Matielo, Elaine Lista, Fátima Suman, Gildo Antônio Gelmini, Irineu de Souza, João Batista do Nascimento, José Calixto, José Carlos Avancini, José Júlio, José Luis Armigliato, José Raimundo da Costa, Luiz Menezes Pereira , Luiz Soares de Souza, Mércia Carvalho, Maria do Carmo Machado, Mário Ferreira, Mário Jorge, Marisa de Lima, Nadir Barreto de Almeida, Nélson Pelatieri, Nenê Vesco, Neusa Pelatieri, Patrícia Pelatieri, Rosana Mariano, Sandra Agda Martins, Sérgio Franco, Soraia Soares, Tânia Rocha, Valdomiro Beghini, Valter Scarpa, Vania Suman

Gildo foi para São José do Rio Preto, onde chegou a gerente; Valdomiro – Miro foi para Santa Bárbara D’oeste e lá passou a viver; Zé Raimundo, cansado de viajar todo dia, acabou mudando pra Campinas, Alice também viajava pra Campinas e, na volta, ainda lecionava no noturno, Zé Luiz ingressou em São Paulo e, em pouco tempo, removeu-se pra cá, o professor Quico e este escriba trabalharam-na agência da Praça da República, em São Paulo.

O Credireal foi muito importante para nossa Estância.

Os Poloneses Márcio e Rosa Raush – pais do Serginho – compraram um lote e nele edificaram o Metro Hotel – hoje Galeria dos Arcos e Sorveteria da Japonesa.

O Metro Hotel tinha, no Cavalinho Branco, uma vilinha onde moravam seus funcionários.

Depois o hotel passou para o Atílio e os Raush voltaram para São Paulo, para um apartamento na Santa Cecília onde, ás vezes, eu ia, quando por lá passei. Não tenho mais noticias do Serginho. Por onde andará?

Chegamos à Farmácia Nossa Senhora de Lourdes, do Dr Humberto.

Eram duas farmácias na Duque de Caxias: Nossa Senhora das Graças do Guerino e Nossa Senhora de Lourdes do Dr Humberto.

Na farmácia do Dr Humberto só trabalhavam moças bonitas: a Ivonete do Pepino, a Rosa da tia Lazinha e a loira platinada Cida da tia Ernesta.

Ali funciona hoje a loja do Dorica.

Foto: João Eduardo Biscuola.

Brevíssimo histórico do casal: Aristides Ricciluca e Adelaide Bitelli. – Nossa Historia N18 

Texto: Ismael Rielli.

Digitação e revisão: Ismael Rielli e Rodrigo Martins.

Com a colaboração de Conceição Ricilluca Matielo.

Ambos nasceram na Comuna de Conselice, província de Ravena, região da Emilia-Romagna, Itália.

Aristides nasceu em 14 de outubro de 1874, filho de Giacomo Ricciluca e Giuseppa Dassasso.

Adelaide nasceu em 01 de março de 1878, filha de Agostini Bitelli e Carolina Tazzari.

Aristide chegou ao Brasil, no Porto de Santos no vapor Las Palmas em 08 de março de 1893, com 18 anos.

Adelaide chegou ao Brasil, no Porto de Santos no vapor Poitou em 27 de novembro de 1888, com 10 anos.

Após o casamento, tiveram os seguintes filhos: Adolpho casou-se com Higina (Gina) Altafini e tiveram os filhos: Odete, Aparecida (Dida), Wilson (Ito), Jupira, Ilca (Bin), Walter (Vande) e Gilmere (Mére).

Carolina (Carola) casou-se com José Fontana e não tiveram filhos.

Josephina (Nena) casou-se com José (Zeca) Beghini e tiveram os filhos Terezinha (Telê) e José Onofre (Zito).

Maria Antônia casou-se com Plinio Morais e não tiveram filhos.

José Pedro, solteiro.

Maria Esther casou-se com José Maria Bueno (Zezinho) e tiveram os filhos Maria José (Zezé), Maria Aparecida (Cidinha), Paulo Roberto, Maria Adelaide (Dela), João Bosco, Maria Auxiliadora (Doía) e Maria da Penha (Pepê).

Maria aparecida casou-se com Antônio Matielo e tiveram os filhos Antônio, Benedito Aristides, José Angelo, Conceição Aparecida e Maria da Penha.

Maria Aparecida casou-se com Antônio Matielo e tiveram os filhos Antônio, Benedito Aristides, José Angelo, Conceição Aparecida e Maria da Penha.

Aristides trabalhou como administrador da fazenda Santo Antônio, em Itapira-SP (produtora de café para exportação) de propriedade da família Maciel. Mudou-se com a família para Águas de Lindóia, no casarão da sua propriedade, ao lado do extinto Cine Yara, cuja portada abrigava portas comerciais e eram alugadas para bar e lojas. Continuou trabalhando para a família Maciel, administrando a Vila Aristides, cujas casas eram alugadas e, também, no loteamento ao lado do lago, que compõe a praça Ademar de Barros.

Adelaide faleceu em fevereiro de 1960 e Aristides em dezembro de 1970.

Os Ricilucas

Pedro Riciluca era motorista e artesão nas horas vagas. Fabricava caprichadas caixas de engraxates. Eram muitos os meninos engraxates naquele então. Pedro fornecia-lhes, de graça, o instrumento de trabalho.

Com orgulho exibia na calçada de sua casa monjolinho muito bonito e interessante. Todos paravam para admirá-lo.

Carola

Esposa do Zé Fontana, não teve filhos, mas teve um filho querido: o Zé Luis da Carola.

Filho da Tonha e do Avante, Zé Luís foi criado com esmero e muito carinho pela Carola e pelo Zé Fontana. O afortunado Zé Luís teve dois pais e duas mães.

Zé Luís , depois de muitos anos, exemplar tesoureiro da prefeitura, virou o Zé Luís da Loteca.

Infelizmente foi o nosso primeiro conterrâneo abatido pela “maledeta” covid 19.

Carola era agenciadora-vendia passagens do Cometa, na própria loja do pai, bem no coração da cidade. Na parte da frente da casa do Aristides instalaram-se o bar central, dos Matielo, a agencia do Cometa e do Socorrense e, mais tarde, a loja do Paulo Fernandes. Hoje é tudo do grupo Helou.

Zé Fontana tinha uma bela loja, muito sortida, encantadora dos olhos da criançada, que ficava na parte baixa do Hotel do Lago, enorme placa informava: Bazar do Lago, sempre novidades. Nesse pedaço do Hotel do Lago instalaram-se também o banco Itaú e a barbearia do Romeu Nicoleti.

Zé Fontana não perdia um filme do Cine Yara, ao lado de sua casa. Como sofria de asma crônica, sentava-se na última fileira e acionava sua bombinha de ar: fuc, fuc, fuc.

Zeca Beghini, genro do Aristides, marido da Nena, era motorista do caminhão maior da prefeitura que tinha, apenasmente, dois caminhões de carroceria. Dois Chevrolet: o maior do Zeca Beghini, e o menor, um tigre, do Lucio.

O caminhão do Zeca transportava os paralelepípedos que calçaram nossas ruas.

A pedreira ficava no sítio do meu avô.

Inquilino e vizinho, Antônio Matielo casou-se com Maria Aparecida Riciluca, Mudaram para Itapira.

O caminhão do Aristides

Como se viu, Aristides veio pra cá pelas mãos do Maciel, proprietário de vasta área de terra na cidade que disputava. Administrador de confiança era o responsável pelo aluguel de uma vila de casas geminadas, exatamente na atual Av: Vitória Régia. A Vila era do Maciel, mas todos conheciam como Vila do Aristides.

Aristides tinha uma casa espaçosa, residencial e comercial bem no coração da cidade.

O caminhãozinho do Aristides era um Fordinho 29 parecido com o Anastácio do sai da frente do Mazaropi.

Era o pioneiro e quiçá um dos únicos meios de frete da cidade incipiente.

Era ele que transportava para o açougue do Ricardo as peças de bois abatidos no matradouro na descida dos Moreiras. Bem limpinho, é claro, mas nada de caminhão frigorífico. E ninguém morreu contaminado.

Às vezes necessitávamos de alguns transportes dentro de nosso sítio.

Solicito vinha o atencioso Aristides. Ele era bonzinho e paciencioso e me deixava entrar na boléia , ao lado dele. Um verdadeiro alumbramento, uma alegria incontida.

Caminhão era o encantamento das crianças. Eu adorava.

Com muito esforço, compramos um Chevrolet boca de sapo para meu irmão mais velho que, recém, tinha tirado carta.

Uma festa. Uma “contentezza”.

Fui ajudante de caminhão para transporte de tijolo, areia, lenha, mudanças…

Mas o nosso caminhão era um “Belo Antônio”, vivia na oficina do Mané para a tristeza de toda a família que se aboletava toda noite na boléia dele, para assistir pelo rádio (não tínhamos luz elétrica) a mais um capítulo de MADALENA.

Quando o caminhão quebrava ou o Claudio não chegava em tempo, era grande e geral a tristeza. Ficávamos sem a novela. Sem saber o que acontecera aos nossos heróis e vilões.

Aristides Riciluca, um italiano porreta, um personagem interessante da nossa história.