Ainda a Rua Duque de Caxias – Personagens da Nossa História Nº 22

Texto do Professor Ismael, para os jovens conhecer e os mais velhos recordar.

Texto: Ismael Rielli.

Digitação e revisão: Ismael Rielli e Rodrigo Martins.

Foto: João Eduardo Biscuola.

Ainda a Rua Duque de Caxias

Ela nascia na Biscuolada, atual SAAE, de um lado e a Vila Roberto, do outro.

Roberto kutchat, um dos donos da Brahma, acometido por forte erisipela foi parar na Alemanha para se tratar.

Ao saber que o paciente vinha do Brasil, o médico puxou-lhe a orelha. “volte logo para sua terra. Procure as Thermas de Lindóia; beba e lave-se com aquelas águas”.

Em 15 dias ele estava curado.

Encantou-se, apaixonou-se por nossa terra e aqui investiu pesado. Comprou vasta gleba dos Gianotti antigas terras de Mário Giovanolli e ali instalou a Vila Roberto com casas ao estilo alemão, com telhados íngremes (infelizmente desfigurados hoje). Na parte alta do terreno edificou sua morada, uma imponente casa de sapé, a famosa “Casa da Alemoa”, a casa da Madame kutchat.

Na área não edificada plantou em aléias, um bosque de cipreste.

Nas fraldas do Morro Pelado adquiriu uma bela fazenda, onde edificou sua casa de campo e várias outras pros colonos. Em poucos anos construiu muito. Impulsionou o progresso das Thermas de Lindóia.

Naquele tempo o jogo era permitido e o magnata Kutchat era um assíduo frequentador do nosso cassino.

A gleba do kutchat terminava embaixo na casa da Jupira, em cima no Hotel da Jupira, Bela Vista. Não é à toa que a rua que os separa é a Rua Alemanha, homenagem ao mega investidor.

A casa da Jupira ficava bem na esquina e tinha uma área em arco na entrada. No lote contiguo Jupira e Albertino cultivavam uma bem variada horta.

Depois vinha a casa do Julio Calderoli, dono de um Studbaker. Tinha uma área pergolada em toda frente. Durante muito tempo foi a morada da família do Roberto Daurea.

A seguir o saudoso e glorioso grupo escolar com 4 classes. Chegava-se a elas por uma escada de alguns degraus e, pelas laterais, os alunos acessavam o pátio da escola.

Amplo corredor separava a diretoria à direita e o gabinete do dentista Dadinho, à esquerda, depois vinham as 4 salas de aula. Duas de cada lado. No galpão do pátio formavam-se as 4 filas e antes de entrar nas salas cantavam-se sempre um hino ou uma musica infantil como a do Gate Galinho.

“Há três noites que não durmo

Pois perdi o meu galinho”…

No fundo do pátio o banheiro feminino à esquerda e o masculino, à direita, perto da cozinha, onde sozinha, a Maria Bossi preparava a sopa de fubá, de macarrão e às sextas feiras, alternadamente, arroz doce e canjica.

Na meia hora do recreio os alunos podiam falar, gritar, brincar. As meninas pulavam corda, os meninos jogavam bolinha de birola ou de triângulo. Pegavam um pra cristo, em quatro segurando o indigitado pelas pernas e pelos braços, conduziam – no à Coréia (que a gente nem sabia bem o que era ou se estava em guerra) a Coréia ficava na frente do grupo, à esquerda de quem entrava, onde depois o diretor Edward construiu um aquário.

Depois do grupo vinham dois belos sobrados que chamávamos “As casinhas do Tamoyo”. Numa delas residia o Dr Walter Fachini, prefeito nomeado naquela época; na outra morava Domingo Forraz, concunhado do Pedro Fachini e gerente geral do imponente Hotel Tamoyo que depois se ampliou, engolindo os dois bangalôs e também o nosso inesquecível grupo escolar trocado pela construção de uma nova escola, o nosso atual Francisco Tozzi.

Hotel Tamoyo – Águas de Lindóia 1960.

João Eduardo Biscuola.

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