O Espigão da Duque de Caxias -Personagens da Nossa História N21

Depois do Cine Yara, de saudosa memória, vinha o casarão do Aristides, que morava nos fundos e a parte da frente, bem no coração da cidade, abrigou a agencia da Cometa, capitaneada pela Carola que atendia também ao ônibus amarelo do Granato, pilotado pelo Plínio, que saia ás 11 pra Bragança e depois , durante muito tempo, a loja do Paulo Fernandes, bem surtida.

Uma mulata risonha, de nome Tiana, agregada dos Riciluca, fazia parte integrante do pedaço e, na calçada, o artesão Pedro Riciluca, especializado em caixas de engraxates, exibia suas engenhocas com destaque pra um encantador monjolinho. Anexo ficava o Bar Central dos Matielos, depois do Frederico Fazoli e do João Raimundo. Foi também do Virgilio Pedroso e do Zé Davi, um bar muito movimentado com muitos comes e bebes, sorvetes, com vitrines de doçes de dar água na boca. Nós, crianças de classe média, nos restringíamos ao setor de sequilhos, quindins, creminhos, bom bocados, maria mole, pé de moleque. A ala dos chocolates com tabletes envoltos em fotos de paisagens europeias, sonho de valsa não eram pro nosso bico.

Num cômodo escuro anexo, Frederico instalou uma televisão que atraía grande público, principalmente nos jogos de futebol, Frederico foi o pioneiro da TV em nossa terra.

Encostado ao Bar Central ficava o Bar da Nega do Berto que foi também dos irmãos Zé Berto e Joaquim Paulino e do Chiquinho. Zé Paulino morava no fundo do bar e foi lá que meu amigo coevo Hélio, na flor da idade , perdeu a vida picado mortalmente por um escorpião. Muitos anos depois, outro escorpião levou a filha do Zé Sapateiro. Vendendo deliciosos sorvetes de coco branco e coco queimado Chiquinho conseguiu formar médicos e professor seus filhos.

A calçada do Bar da Nega terminava abruptamente pouco antes da loja do Salim. Uma vielinha estreita dava acesso a um animadíssimo rancho com duas raias de bocha palco de homéricos campeonatos com funcionários de hotéis nos seus intervalos de folga entre almoço e janta. Depois vinha a turma da noite. O Ranchão da Bocha pertencia ao Bar da Nega.

Então o Salim resolveu implantar o Hotel Central – explorado pelo João Raimundo, o João do Bar.

Naquele então a cal que se usava nas construções eram matacões de pedras oriundas das fornalhas da Pedreira Fortaleza, ali da Ponte Preta.

O representante da Fortaleza aqui era o Edmundo Damaso com, seu depósito na Rua Zéquinha de Abreu, hoje Espírito Santo.

Ajudante de caminhão do meu irmão, amiúde íamos buscar cal na Fazenda Fortaleza.

Ao lado das construções abriam-se mini piscinas onde se depositava a cal em pedras, que ferviam com água que se jogava nelas. Para facilitar a operação instalava-se uma torneira na borda do buraco.

Sedenta, ao sair do grupo escolar, Jandira Pedroso foi tomar água na torneira, escorregou e caiu no poço e até ser retirada teve terríveis queimaduras no corpo inteiro.

Embrulhada em folhas de bananeiras sofreu muito no longo tratamento, com marcas indeléveis para sempre. Foi uma acontecência que traumatizou nossa Thermas de Lindóia.

Fotos: João Eduardo Biscuola.

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