Subindo a Duque de Caxias. -Personagens da nossa história Nº20

Obrigada, professor Ismael Rielli e Rodrigo Martins.

Depois da farmácia do Dr Humberto vinha ampla construção do Domingo Ferraz, cunhado do Fachini e gerente do Hotel Tamoyo. Várias lojas com residências na parte de cima. O sobrado ocupava e ainda ocupa um bom pedaço da Duque de Caxias e descia pela Zequinha de Abreu – hoje Espírito Santo.

Nas residências do sobrado moraram as famílias do dentista Agnaldo, do João Batista e da Maria Mapa, da Inês Maganha, pontos privilegiados para assistir os desfiles cívicos e carnavalescos.

Numa das lojas compridas funcionava o Bar Estância Azul, do Constante Fiore. Era lá que se comemoravam as vitórias do Palmeirinhas. Vitorioso, uma multidão acompanhava os Heróis do Campo Amor – Praça Adhemar – até o Bar do Constante, técnico do time. Lembro-me bem da defesa: Luizinho, Nico e Décio, Claudio Renato e Lambari. Alguns continuam fortes e rijos: Luizinho no Rio Grande do Sul, Cláudio na Grécia e Renato em Madureira, no Rio.

Frequentador diário do Bar do Constante (que foi também do Marcelão) o Guilherme que tinha dois carros pretos, um Pakard e exibia sua carteira recheada de dinheiro. Comentava-se que teria sido essa a causa de seu terrível assassinato ao lado da companheira dona Clara. Chamavamo-lo de Pitudo.

O sobrinho do dono – Feliche ocupava com sua famosa casa de presentes duas lojas.

Esse prédio sediou também a casa de chocolates Mathias, uma loja chique do Daniel Cobra, O Fino da Roça, O Banco do Estado, uma loja de bolsas e, por décadas o salão de beleza da Helena.

No apartamento de acima do salão morava o proprietário Domingos.

Na esquina da Duque de Caxias com a Zequinha de Abreu (atual Edifício Vera) havia um campinho onde brincavam as crianças das populosas Vilinhas do João Frederico.

Foi ali que a Ablegada, influente, dinâmica Dona Araci instalou a famosa Boate Camelo, um rancho com tambola, quitutes, musica. A Boate Camelo não era uma boate. Era um ponto de encontro de moradores da terra e hóspedes. Uma feliz iniciativa para agariar recursos para a construção do Hospital. Tocavam a boate voluntários jovens e maduros. A Boate Camelo foi o mais exemplar, o mais envolvente, o mais puro movimento social que conheceu Thermas de Lindoya. E o hospital lá está sólido e altaneiro no pé do morro. É claro que não foi construído só com a arrecadação da boate. A campanha alastrava-se por todos os quadrantes. Ganhava bezerros que viravam bois eirados num pasto do Brejal. Dona Araci, amiga íntima de influentes políticos, conseguia deles importantes ajudas, polpudas verbas merecidamente. Dona Araci viveu seus últimos anos num apartamento do hospital, cercada de muito carinho das Irmãs.

E então chegamos ao Cine Yara, durante cuja construção Thermas de Lindoya assistiu ao mais trágico acidente de sua história: a queda do Platibanda que ceifou duas vidas, numa tarde de 6 de janeiro de 1953.

Zé Pinanti morreu eletricutado pela rede de alta tensão rompida pelo andaime.

Arlindo, irmão do canecão, (o famoso goleiro do lago) morreu também na hora sob enorme viga que Canecão, urrando, tentava erguer meu sogro, Zéquinha Renzo, todo quebrado foi levado pra farmácia do Guerino. Sofreu muitas quebraduras, mas, felizmente sobreviveu. O servente Zé Caneca desceu meio por cima de tudo e teve apenas um dente quebrado.

Eu ouvi o pavoroso estrondo e vi a imensa nuvem de poeira que se levantou. Estava ali perto, no ponto de aluguel de cavalos, na hoje Praça Adhemar, perto da jaqueira e da banca espírita. Todos corremos para ver

aquela cena dantesca indelével da nossa história.

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