Texto: Ismael Rielli. – Digitação, fotos e revisão, Rodrigo Martins e Ismael Rielli.
No fim da praça Cavalinho Branco, anexa a ela há uma pracinha onde nasce a estrada do Morro Pelado.
Era ali que o Gordo da Bastiana passava os seus dias.
Aires Antônio Pereira, mais conhecido por Arizinho (não era Ari, era Aires) e sobretudo como Gordo, o Gordo da Bastiana para os íntimos.
Arizinho fazia parte da geografia do Cavalinho Branco, onde nasceu, na Vilinha do Metro Hotel.
Viveu seus 57 anos (não estava na hora de partir, tão cedo) sempre no Cavalinho Branco, num raio de menos de 500 metros. Nasceu na Vila do Metro, (seu pai santista Antonio Baiano – era funcionário do hotel) e lá viveu até a demolição da Vilinha. Foram contemplados com uma casa no morro, no começo da Rua Boa Vista, sua segunda e última morada, com a batalhadora mãe, a Bastiana, filha do engraxate Cheque, encarregado da limpeza do centro telefônico da Rua São Paulo, sempre carregando sacolas. Com a morte da mãe dividiu a morada com o irmão Alexandre. As irmãs Andréia e Alinice já tinham suas próprias casas.
O gordo era querido, muito estimado, por gregos e troianos, pobres e ricos, crianças, adultos e idosos. Tinha uma legião de amigos, conhecia todo o mundo e mais um pouco.
Passou a vida negociando. Vendendo, comprando, escambando.
Era especializado em cavalos e pôneis, mas negociava carros velhos, cabritos, porcos, vacas, perus, galinhas, ganisés, charrete, trole, bagageiras, bicicletas, antiquários, panelas e caçarolas de ferro, celulares, aparelhos de som, quadros de pintura, arreios de cavalos e de charrete, mulas de raça, cavalos de raça e pangarés. Erguia-lhes os beiços e detectava-lhes a idade.
Nos bancos da pracinha recebia os amigos, os negociantes, os parceiros, os fornecedores, os compradores. Ali vendia e trocava cavalos, pôneis, charrete, bicicleta.
Exímio ferrador de cavalo.
Seguidinha comprava muidos de porcos e preparava sarapatéis e nos ofertava tigeladas suculentas. Gostava de linguiça e comprava-as por todos os cantos, especialmente pras bandas de Eleutério, onde tinha amigos com quem vivia negociando. Ultimamente não tinha carro, mas não lhe faltavam caronas, especialmente do Adão que o levava pra todos os cantos.
Dos vitrôs de casa, todas as manhãs víamos o Gordo descendo, de bermudas e havaianas, com o balde plástico com farelo para alimentar os poninhos que tratava com carinho e esmero. Gordo não percorre mais a calçada ermia, ultimamente andava aborrecido com o sumiço de vários cavalos de sua tropa.
As crianças – tinha uma legião de fregueses, adoravam-no, pois com ele, paciencioso, aprendiam a cavalgar.
Gordo emagreceu e foi-se em menos de 2 meses.
Deixa muita saudade.
A mesma praça, o mesmo banco
As mesmas flores, o mesmo jardim
Tudo é igual, sqn, falta o nosso amigo Aires.


