(Ismael Rielli com a colaboração do Dito do Banco)
Tínhamos parado na loja do Adelino.
Ao lado dela havia uma entrada que dava acesso à igrejinha de Nossa Senhora de Montenero, ao açougue do Ricardo, ao gabinete do Ovídio (que não era dentista; era prático, mas tinha grande freguesia), à sapataria do Nato Renzo e ás moradas da família da Maria Boava. onde está o Adibulk, um prédio sem garagens (naquele tempo a lei não exigia), Alfredão instalou o seu tiro ao alvo, onde trabalhavam a esposa, dona Antônia, o Geraldinho Ribeiro e o Luis Seragi, que depois virou o Luis do Correio. O parque do Alfredão funcionou também do outro lado da rua onde, mais tarde instalou-se o escritório do Neliton e do Hotel Mantovani, depois veio o Subsolo e agora abriga o Boulevard das Águas. Atrás do Tiro ao Alvo do Alfredo havia uma fileira de robustos eucaliptos, onde os fregueses da Casa Confiança amarravam seus cavalos.
O parque e Tiro ao Alvo do Alfredão tinha barquinhas movidas por cordas puxadas por dois barqueiros que se posicionavam um em frente ao outro, a bombordo e a estibordo.
No Tiro ao Alvo, com espingardas de chumbinho, ganhava prêmio quem abatesse patinhos que, lentamente, atravessavam um lago inexistente.
Nas várias prateleiras, sob as quais se estendiam largos lençóis, enfileiravam-se os mais variados maços de cigarro, a serem abatidos por rolhas disparadas por espingardas. Os lençóis protegiam o cigarro atingido, entregue ao atirador, nem sempre fumante.
Os mais baratos – Macedônia o mais vendido na época ficavam mais perto do balcão e portanto mais fácil de cair.
Já os mais caros – Continental, Holywood, Chesterfield ficavam mais longe e exigiam mais tino e melhor pontaria.
Naquele tempo eram tantas as marcas de cigarro (José Serra, incansável combatente do tabagismo, ainda usava calças curtas) que as crianças colecionavam os maços vazios dobravam-nos com carinho para fabricar cintos coloridos, bem bonitos.
O Adibulk sediou a lanchonete Paula (boate St Paul) o Bar do Cueca, a Imobiliária do Amadeu e do Cueca (hoje Personalitá) a morada da tia Creme e de muitos outros moradores.
Em seguida, a montante, Guerino construiu seu segundo prédio que acolheu a Farmácia Nossa Senhora das Graças (hoje do Alçeu) o consultório de seus filhos dentista e analista de laboratório farmacêutico, o consultório da Anita, uma ala residencial no subsolo onde moraram Marcelo e Teresinha, a família do advogado Munir e a agencia do Banco Credireal de Minas Gerais, onde muitos de nossos jovens trabalharam:
O credireal
Funcionou de 1962 a 1988 e teve 6 gerentes:
1 – José Ribeiro de Andrade o Zé da Borda que instalou a agência e, aposentado, vive hoje em Ouro Fino.
2 – Mauro Bartholomei
3 – Noel de Moura e Siva
4 – Nelson Silva que fez carreira e se aposentou como inspetor. Mora na Brasilia
5 – Benedito de Morais Godoi, o Dito do Banco, que ingressou na agência São Bento em São Paulo, onde trabalhou por 2 anos, transferiu-se pra cá, fez carreira e, por 12 anos, foi o gerente. Mora na Itália
6 – Porfírio Antônio Baganha
Trabalharam no tradicional Banco mineiro, do tempo do Império, que empregou muitos jovens de nossa terra:
Alice Prado, Carlos de Souza, Claudete Néspoli, Ediméia Matielo, Elaine Lista, Fátima Suman, Gildo Antônio Gelmini, Irineu de Souza, João Batista do Nascimento, José Calixto, José Carlos Avancini, José Júlio, José Luis Armigliato, José Raimundo da Costa, Luiz Menezes Pereira , Luiz Soares de Souza, Mércia Carvalho, Maria do Carmo Machado, Mário Ferreira, Mário Jorge, Marisa de Lima, Nadir Barreto de Almeida, Nélson Pelatieri, Nenê Vesco, Neusa Pelatieri, Patrícia Pelatieri, Rosana Mariano, Sandra Agda Martins, Sérgio Franco, Soraia Soares, Tânia Rocha, Valdomiro Beghini, Valter Scarpa, Vania Suman
Gildo foi para São José do Rio Preto, onde chegou a gerente; Valdomiro – Miro foi para Santa Bárbara D’oeste e lá passou a viver; Zé Raimundo, cansado de viajar todo dia, acabou mudando pra Campinas, Alice também viajava pra Campinas e, na volta, ainda lecionava no noturno, Zé Luiz ingressou em São Paulo e, em pouco tempo, removeu-se pra cá, o professor Quico e este escriba trabalharam-na agência da Praça da República, em São Paulo.
O Credireal foi muito importante para nossa Estância.
Os Poloneses Márcio e Rosa Raush – pais do Serginho – compraram um lote e nele edificaram o Metro Hotel – hoje Galeria dos Arcos e Sorveteria da Japonesa.
O Metro Hotel tinha, no Cavalinho Branco, uma vilinha onde moravam seus funcionários.
Depois o hotel passou para o Atílio e os Raush voltaram para São Paulo, para um apartamento na Santa Cecília onde, ás vezes, eu ia, quando por lá passei. Não tenho mais noticias do Serginho. Por onde andará?
Chegamos à Farmácia Nossa Senhora de Lourdes, do Dr Humberto.
Eram duas farmácias na Duque de Caxias: Nossa Senhora das Graças do Guerino e Nossa Senhora de Lourdes do Dr Humberto.
Na farmácia do Dr Humberto só trabalhavam moças bonitas: a Ivonete do Pepino, a Rosa da tia Lazinha e a loira platinada Cida da tia Ernesta.
Ali funciona hoje a loja do Dorica.
Foto: João Eduardo Biscuola.

