Texto: Ismael Rielli.
Digitação e revisão: Ismael Rielli e Rodrigo Martins.
Com a colaboração de Conceição Ricilluca Matielo.
Ambos nasceram na Comuna de Conselice, província de Ravena, região da Emilia-Romagna, Itália.
Aristides nasceu em 14 de outubro de 1874, filho de Giacomo Ricciluca e Giuseppa Dassasso.
Adelaide nasceu em 01 de março de 1878, filha de Agostini Bitelli e Carolina Tazzari.
Aristide chegou ao Brasil, no Porto de Santos no vapor Las Palmas em 08 de março de 1893, com 18 anos.
Adelaide chegou ao Brasil, no Porto de Santos no vapor Poitou em 27 de novembro de 1888, com 10 anos.
Após o casamento, tiveram os seguintes filhos: Adolpho casou-se com Higina (Gina) Altafini e tiveram os filhos: Odete, Aparecida (Dida), Wilson (Ito), Jupira, Ilca (Bin), Walter (Vande) e Gilmere (Mére).
Carolina (Carola) casou-se com José Fontana e não tiveram filhos.
Josephina (Nena) casou-se com José (Zeca) Beghini e tiveram os filhos Terezinha (Telê) e José Onofre (Zito).
Maria Antônia casou-se com Plinio Morais e não tiveram filhos.
José Pedro, solteiro.
Maria Esther casou-se com José Maria Bueno (Zezinho) e tiveram os filhos Maria José (Zezé), Maria Aparecida (Cidinha), Paulo Roberto, Maria Adelaide (Dela), João Bosco, Maria Auxiliadora (Doía) e Maria da Penha (Pepê).
Maria aparecida casou-se com Antônio Matielo e tiveram os filhos Antônio, Benedito Aristides, José Angelo, Conceição Aparecida e Maria da Penha.
Maria Aparecida casou-se com Antônio Matielo e tiveram os filhos Antônio, Benedito Aristides, José Angelo, Conceição Aparecida e Maria da Penha.
Aristides trabalhou como administrador da fazenda Santo Antônio, em Itapira-SP (produtora de café para exportação) de propriedade da família Maciel. Mudou-se com a família para Águas de Lindóia, no casarão da sua propriedade, ao lado do extinto Cine Yara, cuja portada abrigava portas comerciais e eram alugadas para bar e lojas. Continuou trabalhando para a família Maciel, administrando a Vila Aristides, cujas casas eram alugadas e, também, no loteamento ao lado do lago, que compõe a praça Ademar de Barros.
Adelaide faleceu em fevereiro de 1960 e Aristides em dezembro de 1970.
Os Ricilucas
Pedro Riciluca era motorista e artesão nas horas vagas. Fabricava caprichadas caixas de engraxates. Eram muitos os meninos engraxates naquele então. Pedro fornecia-lhes, de graça, o instrumento de trabalho.
Com orgulho exibia na calçada de sua casa monjolinho muito bonito e interessante. Todos paravam para admirá-lo.
Carola
Esposa do Zé Fontana, não teve filhos, mas teve um filho querido: o Zé Luis da Carola.
Filho da Tonha e do Avante, Zé Luís foi criado com esmero e muito carinho pela Carola e pelo Zé Fontana. O afortunado Zé Luís teve dois pais e duas mães.
Zé Luís , depois de muitos anos, exemplar tesoureiro da prefeitura, virou o Zé Luís da Loteca.
Infelizmente foi o nosso primeiro conterrâneo abatido pela “maledeta” covid 19.
Carola era agenciadora-vendia passagens do Cometa, na própria loja do pai, bem no coração da cidade. Na parte da frente da casa do Aristides instalaram-se o bar central, dos Matielo, a agencia do Cometa e do Socorrense e, mais tarde, a loja do Paulo Fernandes. Hoje é tudo do grupo Helou.
Zé Fontana tinha uma bela loja, muito sortida, encantadora dos olhos da criançada, que ficava na parte baixa do Hotel do Lago, enorme placa informava: Bazar do Lago, sempre novidades. Nesse pedaço do Hotel do Lago instalaram-se também o banco Itaú e a barbearia do Romeu Nicoleti.
Zé Fontana não perdia um filme do Cine Yara, ao lado de sua casa. Como sofria de asma crônica, sentava-se na última fileira e acionava sua bombinha de ar: fuc, fuc, fuc.
Zeca Beghini, genro do Aristides, marido da Nena, era motorista do caminhão maior da prefeitura que tinha, apenasmente, dois caminhões de carroceria. Dois Chevrolet: o maior do Zeca Beghini, e o menor, um tigre, do Lucio.
O caminhão do Zeca transportava os paralelepípedos que calçaram nossas ruas.
A pedreira ficava no sítio do meu avô.
Inquilino e vizinho, Antônio Matielo casou-se com Maria Aparecida Riciluca, Mudaram para Itapira.
O caminhão do Aristides
Como se viu, Aristides veio pra cá pelas mãos do Maciel, proprietário de vasta área de terra na cidade que disputava. Administrador de confiança era o responsável pelo aluguel de uma vila de casas geminadas, exatamente na atual Av: Vitória Régia. A Vila era do Maciel, mas todos conheciam como Vila do Aristides.
Aristides tinha uma casa espaçosa, residencial e comercial bem no coração da cidade.
O caminhãozinho do Aristides era um Fordinho 29 parecido com o Anastácio do sai da frente do Mazaropi.
Era o pioneiro e quiçá um dos únicos meios de frete da cidade incipiente.
Era ele que transportava para o açougue do Ricardo as peças de bois abatidos no matradouro na descida dos Moreiras. Bem limpinho, é claro, mas nada de caminhão frigorífico. E ninguém morreu contaminado.
Às vezes necessitávamos de alguns transportes dentro de nosso sítio.
Solicito vinha o atencioso Aristides. Ele era bonzinho e paciencioso e me deixava entrar na boléia , ao lado dele. Um verdadeiro alumbramento, uma alegria incontida.
Caminhão era o encantamento das crianças. Eu adorava.
Com muito esforço, compramos um Chevrolet boca de sapo para meu irmão mais velho que, recém, tinha tirado carta.
Uma festa. Uma “contentezza”.
Fui ajudante de caminhão para transporte de tijolo, areia, lenha, mudanças…
Mas o nosso caminhão era um “Belo Antônio”, vivia na oficina do Mané para a tristeza de toda a família que se aboletava toda noite na boléia dele, para assistir pelo rádio (não tínhamos luz elétrica) a mais um capítulo de MADALENA.
Quando o caminhão quebrava ou o Claudio não chegava em tempo, era grande e geral a tristeza. Ficávamos sem a novela. Sem saber o que acontecera aos nossos heróis e vilões.
Aristides Riciluca, um italiano porreta, um personagem interessante da nossa história.




