BRANCA DE NEVE E A PROFESSORA

– Crianças, hora da história! Venham sentar pertinho da Prô: perninhas cruzadas, boquinha fechada, ouvidinhos bem abertos… Agora vou contar uma linda história.

A minha turminha da Educação Infantil é de tirar sabiá do toco! Os ‘’miózinhos’’ valem por meia dúzia no quesito ‘’arte’’.

São vinte minutos só para organizar a rodinha: um precisa ir ao banheiro, outro pede para trocar de lugar, outro está com o brinquedo na mão e demora para guardar na mochila.

Enfim, começo a história:

Era uma vez uma linda princesa chamada Branca de Neve. Ela morava em um castelo com sua madrasta, uma rainha muito bonita, mas muito, muito malvada… Tão malvada que se transformava em uma bruxa terrível.

A rainha tinha um espelho mágico, fofoqueiro como ele só, que lhe contava tudo o que acontecia no reino.

Todos os dias, ao acordar, a vaidosa rainha fazia a mesma pergunta:

– Pedrooo! É assim que você respeita o amigo? Chutando? Seu colega é bola, por acaso? Peça desculpas!

Ops! Não foi isso que a rainha perguntou ao espelho. Perdão, crianças!

A pergunta era:

– Espelho, espelho meu, existe no mundo alguém mais bela do que eu?

O espelho sempre respondia:

– Não, minha rainha. Você é a mais bela do reino, a mais bela do mundo!

Mas um belo dia, quando ela fez a pergunta de sempre:

– Espelho, espelho meu, existe no mundo alguém mais bela do que eu?

O espelho respondeu:

– Bianca! Por favor, não belisque o amigo!

Perdão de novo, crianças, isso também não foi o que ele disse.

Voltando à história, o espelho respondeu:

– Rainha, você continua linda, mas Branca de Neve, agora que cresceu, é a mais bela do reino.

A madrasta ficou muito brava, chamou o caçador e lhe disse:

– Felipe, assim não! Assim não! Estou contando uma história. Para de cutucar o amigo, chega!

Bom, vou continuar. Prestem atenção!

Depois de muitos “não aperta”, “não cutuca”, “não belisca”… finalmente chegamos ao felizes para sempre.

Após a história, conversei com as crianças sobre o que mais gostaram, dos personagens… Em seguida, pedi que voltassem aos seus lugares, distribuí alguns livros e chamei uma colega:

– Por favor, cuide das crianças um minutinho. Preciso tomar água.

Saí da sala resmungando:

“Preciso de água, de chá, de café, de respirar um pouco… senão perco meu diploma!

Oh, Deus! Por que eu faço isso comigo?

Será que sou masoquista?

Tantas profissões no mundo – advogado, padeiro, médico, leiteiro – e eu aqui!

Joguei pedra na cruz, foi?”

Alguns minutos depois, já refeita, voltei para a sala planejando a próxima atividade e pensando em como aproveitá-la para trabalhar as dificuldades de cada criança.

No caminho, começo a avaliar mentalmente:

– O José já está reconhecendo as letras do seu nome.

– A Bianca anda menos briguenta.

– O Gabriel participa mais das atividades em grupo.

E assim por diante… Estão umas belezinhas!

Nesse instante, me dou conta:

Profissão danada de boa a minha! Nenhuma outra no mundo poderia me dar tanta realização e tanta alegria.

Marilene Rodrigues de Oliveira.

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