QUEM CUIDA DO CUIDADOR?

Enquanto esperava o ônibus para voltar para casa na rodoviária de São Paulo, algum tempo atrás, conheci uma senhora que me contou sobre o trabalho desenvolvido por uma O.N.G. da qual ela é voluntária. O interessante é que o trabalho deles é voltado apenas para mães. Um trabalho bonito, segundo ela me contou, que busca recuperar a vontade de viver, a autoestima e a dignidade de mães em situação de vulnerabilidade social ou que estão sofrendo algum tipo de violência. Para isso, eles contam com voluntários que buscam o resgate dessas mulheres por meio de atendimento psicológico, qualificação profissional e cuidados com a saúde e beleza. Questionei: por que apenas mães?

Ela respondeu:

– Na época da criação da O.N.G., nós vimos uma matéria sobre um médico que cuidava de mães com A.I.D.S. na África e defendia sua linha de trabalho dizendo: “Quando recuperamos uma mãe, melhoramos a vida de pelo menos cinco pessoas, sem contar o impacto nas gerações futuras.” E ela concluiu: “Quem cuida do cuidador? Precisamos cuidar do cuidador.”

No último mês de dezembro, estava fazendo um trabalho voluntário em uma escola de educação infantil e vi a correria dos professores e funcionários em virtude do fim de ano. É festa e passeio que não acaba mais durante o mês inteiro. Lindo demais, criança precisa e merece alegria e encantamento.

Observando o esforço de cada um e a alegria que sentiam ao proporcionar às crianças os passeios, as festas e os presentes, organizando tudo com carinho como se fosse para um filho seu, lembrei-me da conversa com a senhora de São Paulo e pergunto;

– Se ao cuidar de uma mãe cuidamos de, no mínimo, mais cinco pessoas, se cuidarmos de um professor, de quantas pessoas estamos falando?

Já passou da hora de perguntar:

– Quem cuida do professor? O professor também precisa de colo.

Marilene de Oliveira

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