Os hotéis do Lago e Beaucault (depois Mantovani) eram do mesmo grupo comandado pelos filhos e genros do Cirilo e da Pascoalina. Todos começando com A: Adolfo, Aida, Ari, Airton e Alair.
Os hotéis forneciam morada para os funcionários.
O genro, Nini, era peça importante dessa engrenagem. Marido da longeva Aida que continua vendendo saúde, Nini não teve uma vida muito longa, mas foi dinâmico, ousado e empreendedor.
Talqualmente, seus três filhos homens também nos deixaram prematuramente, fora do combinado. Belas e fagueiras, fortes e rijas vivem as filhas Nícia e Neusa.
Neusa existe, elegante e bela, mas a vila Neusa não há mais.
Também outro latifundiário de nossa estância, o fazendeiro Maciel, homenageou suas duas filhas com a Vila Beatriz e a Vila Heloisa antigamente conhecida como Vila Seca.
A Vila Neusa assim batizada em homenagem à filha do Nini que, guapa, convive conosco, aqui na “cidade das Aguas Azuis”.
Na Vila Neusa, dois blocos de casas simples, parede-meia moraram muitas e muitas famílias de empregados dos hotéis do Lago e Beaucault.
Zé Mourão, que abatia frangos caipiras, que chegavam em jacazadas e mais jacazadas dos bairros das cercanias.
A esposa, Sinhana Mourão, era uma costureira (alfaiate) de truz. Era ela que confeccionava nossas calças quando trocávamos as calças curtas por calças compridas. Era dócil, de fala mansa. Costurava e cuidava da casa e dos filhos.
Moraram na Vila Neusa as famílias do: Américo Páscoli, do Avante Armigliato, do Zé Pelatieri, do Nego do Bermiro, do Paulo Zampieri, do Zé do Vito, da Araci Montoia, do Luis Fregonesi, do Pedro Paes, do Zé Geciani da Catarina, do Tico do Tirijo, do Tato, do Zé Silva, porteiro do Lago, do Dito Pisca-Pisca, do Zé Leite, do Geraldo Pinto, do Telo, do Labrado, do Chico Moraleti, do Antonio Stacheti, do Zé Pinante, do Miguelzinho, do Ditinho da Romilda, do César Fregonesi, da Dita do Miguelão, do Clécio Bragato, da Hebe…
A Vila Neusa ficava na parte de cima do Jardim Maciel, na ultima rua onde hoje estão as casas do Pedrosa e do Lacerda, perto de onde, mais tarde o Alfredão instalou um Tobogã.
Vila Neusa não há mais, mas continua viva na memória de muitos que lá moravam.
A vila do Aristides
Seria Aristides Riciluca o administrador daquele conjunto de casas modestas geminadas exatamente na atual Vitória Régia? O fato é que era conhecida como Vila do Aristides e ia bater na casa do Isaias, que, avançando na rua, lá permanece tal qual até hoje. Perto dela, separadas 3 ou 4 casas. Numa delas moravam a família Belini, do Orestão, homem forte que costumava, sozinho, levantar cavalos, quando inspirado.
Ao lado havia ali uma enorme paineira assassina, cujo tronco virou a pá carregadeira do jovem, batalhador, empresário promissor, Toninho da Carmélia,ceifando-lhe a vida tão precocemente.
Ali ficava a horta da Véinha, mãe do Dorvo, da Gonçala e da Francisca.
Na Vila do Aristides morava o Doro, pai do Pascoal, irmão da Natalina Valesi, alugador de cavalos, que manquitolava. Dizia – se que começou a mancar, depois de ter pisado num espinho de cobra. Teria nisso alguma lógica cientifica? A verdade é que, nós, da roça, sempre enterrávamos as cobras que matávamos (hoje não se mata mais cobra) não as deixávamos penduradas em cerca de arame. Temíamos o veneno do espinho delas.
Moraram também as famílias do Parmiro Vesco, do Mario Canela, do pipoqueiro e alugador de cavalos – Gusto Maciano, do Bastião Frozino, sempre risonho, cachimbo na boca, Bastião Calça Curta que usava cinta meio atravessada, contornando barriga avantajada, sem usar os passadores. Na primeira casa sempre moraram Isaías, o factótum da prefeitura, a esposa Hilda e os 3 mosqueteiros: Zé, Luiz e Marquinho. Quanta saudade!


