A Vilinha do Beaucoult e a Vila Roberto – Personagens da nossa história N8

Ismael Rielli com colaboração de Vera Machado

Com 3 ou 4 casas sem reboco externo ficava bem no comecinho da rua Duque de Caxias, ao lado do hotel Plaza na parte baixa do terreno do Beaulcault.

Lá moraram: Dito Machado, motorista da perua do hotel por 54 anos, marido da longeva Nice (Eunice Beghini) 104 anos, pais da Vera e da Maria do Carmo.

Bermiro, cozinheiro, pai do Nego e do Nenê do Bermiro e do Zé da Ana.

Engraçado: o Nenê e o Nego eram do Bermiro, o Zé era da Ana, a mãe.

As irmãs eram Bene e Gina.

Porteiro noturno, o Zé da Noite era marido da Maria, pai da Bueno do Itau e da Sandra.

O motorista Renato Vitachi, marido da Carmen, pai da Claudete, que, depois construiu sua própria casa na rua Paraguai.

O cozinheiro Miguel Delangélica, marido da Benedita, pais da Enia, da Terezinha, do Chicão e da Maria Aparecida.

Toninho Andreata, pai do Gigio, e da Regina, que se casou com um Beaucault.

O terreiro de todas as casas era único e congregava vizinhos amigos.

Um pouco acima dessa vilinha, Tiãozinho Gonçalves torrava café e Zé Mourão, marido da Sianica, morador da vila Neusa, abatia frangos caipiras.

Frango de granja não havia. Fornecedores dos bairros, especialmente dos Moreiras, traziam frangos e galotes em jacás.

ZÉ Mourão encaixava o pescoço do frango entre o pai de todos e o fura bolo e num golpe rápido, sem sofrimento, os frangos eram abatidos e, logo em seguida, mergulhados em agua fervendo para depenagem.

Era nessa hora que muitas crianças e adultos entravam em ação: ajudavam Mourão a limpar o frango com pagamento generoso em pés, pescoços, cabeça, asas, moelas, fígados e corações. Era a mistura de muitas famílias pobres e não tão pobres, cujos filhos ajudavam Mourão.

A vila Roberto

Foi construída pelo Alemão Roberto Kutchat, acionista da Brahma, que se encantou por nossa terra e aqui investiu pesado, adquirindo vasta área nas cercanias do hotel Tamoyo, localização privilegiada.

Além da famosa casa de sapé, no alto do morro, a “casa da alemoa”, a viúva Matilde, hospedava políticos ilustres como Adhemar de Barros, Dr Roberto, que já adquirira uma fazenda no sopé do morro pelado, a fazenda Paraiso, construiu duas fileiras de casas na parte baixa de sua gleba na rua São Paulo: 6 casas com telhados íngremes na frente e mais 3 casas atrás. Uma vila elegante estilo Alpino, a enfeitar as fraldas da montanha.

Ali moraram, dentre outros, como inquilinos, ou como proprietários – algumas casas foram vendidas há anos. Ali moraram Ditinho Matielo, Madame Cintra, Angelo Canepa, Emir Pinheiro, fundadora da APAE, o carioca Lima, que editou o Lindoia Jornal, Werner Krueger da doceria Blumenau, a carioca Belinha, sogra de dois filhos do Morangão, que vivia às turras, como gato e cachorro com a vizinha, a alfabetizadora Professora Carolina do Mendes Peludo do Parque Hotel, Carlos e Inês Maganha com suas 3 filhas.

Numa casa mais modesta na rua de trás, rua Zé Biscuola, moraram as famílias do Serafim Parreira e do Miro Biscuola, dentre muitos outros.

O ecológico Dr Campos e Silva lamenta que a simpática e poética Vila Roberto não tenha sido tombada. A maioria das casas foram reformadas, ampliadas e desfiguradas.

Vila Roberto

Foto: Viva Águas de Lindóia.

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