Clube Umuarama, anos 60 – Personagens da história N7

Uma homenagem ao João Escrivão, que ao lado de sua esposa Márcia fez muito pela vida cultural das noites aqualindoianas “daquele tempo”.

Águas de Lindoia ainda vivia a realidade das tardes silenciosas.

E, se as tardes eram silenciosas, o mesmo acontecia com as noites. Que paz! Que tranquilidade!

Mas nós, jovens naquela época, lamentávamos essa paz e tranquilidade.

Que paz, que tranquilidade, coisa nenhuma, assim não dá, o tempo não passava para nosso desespero.

A nossa turminha vivia reclamando, queríamos barulho, agitação, divertimento…

(Ataulfo, permita-me, eu era feliz e não sabia).

Terminada a sessão do cinema, a noite terminava também.

Porém alguns “boêmios” como o Gildo, o Zé Luiz e eu, ficávamos quase sempre, andando pela deserta Rua Duque, ou sentados no muro da Prefeitura, ou pros lados da Olaria. Conversas de matar o tempo, piadas idiotas, mulheres dos outros e outro temas próprios da idade, mas com um tema sempre presente: a falta de ter o que fazer.

Citei nós três, mas frequentemente tínhamos a companhia de outros jovens, o Carlão, o Odyr, o Dito do Adelino… e, evidentemente, não éramos a única turma, mas não me lembro de outra.

Na segunda metade dos 50, um grupo de cidadãos resolveu reunir em uma sociedade organizada o nosso povo e dar um pouco mais de vida às noites

Nomeio os que me lembro: Henrique Michelini, Bernardino, Isaias e o João Escrivão (Dr João Batista Filho), este último considero um verdadeiro herói, me emociono quando penso na dedicação e competência, com que ele se dedicou à luta.

Tentaram fundar uma sociedade a SEAL, Sociedade Esportiva Águas de Lindoia, não deu certo. Sobre esse assunto já comentei em outro texto.

Homens de fibra, não desistiram e passado um tempo, resolveram fundar um misto de clube e local de divertimento aberto, pois qualquer pessoa poderia frequentá-lo, não precisava ser sócio. Também, numa cidade turística não poderia ser diferente.

Partiram do zero, foi um belo trabalho a construção do clube, contando inclusive com voluntários. Logo o prédio foi concluído, paredes de madeira, piso de taco (no salão) e cimentado no bar e sanitários.

O sonho daqueles idealistas e de nós jovens, realizou-se.

(Tem hora que eu nem acredito)

O nome do “clube”? UMUARAMA!

UMUARAMA, quantos sonhos, quantas alegrias, quantos amores…

Ele localizava-se às margens do antigo lago, hoje praça Dr Adhemar de Barros e o acesso a ele se dava por um caminho em terra e o que é mais importante, um escurinho maravilhoso, extremamente útil nas idas e nas voltas dos bailes e brincadeiras.

O UMUARAMA, certamente permeia as doces recordações dos que o frequentaram.

Como era bonito ver o Valter (Avancine) e a Bilia exibirem suas qualidades de dançarinos, eram os primeiros a entrarem na pista, nos bailes e nas brincadeiras animadas por LPs.

Nas mesas alegres grupos de amigos, casais num romântico tititi, tititizinho bem entendido, até mesmo austeros senhores com os olhos pregados nas filhinhas que deslizavam pela pista de dança.

A gente ficava de olho nas mesas com belas meninas, muitas acompanhadas da família. A vontade de “tirá-las” pra dançar era muita, mas e o medo de levar tábua?

Um golinho pra criar coragem não era raro.

Os bailes eram animados por conjuntos locais, mas a orquestra do Huguinho de Amparo vinha nos alegrar com certa frequência.

Lembro-me de um final de ano em que a nossa turma ficou no clube até… quando voltava pra casa encontrei-me com minha mãe que estava indo fazer compras na venda, não me disse nada, mas olhou feio.

A noite que considero a mais grandiosa dos meus tempos de UMUARAMA foi a que comemorava os 25 anos da emancipação política de Águas de Lindoia. Que noite maravilhosa!

O clube lotado, a orquestra do Huguinho com categoria animava os festeiros.

A música que era sucesso, tocada em todas as rádios era Poema, cantada por Renato Guimarães com um trecho declamado por Enzo de Almeida Passos. Uma bela música.

Pois nessa noite o Enzo de Almeida Passos também estava no UMUARAMA e quando a orquestra do Huguinho tocou a música e o “crooner” Benjamin Armeline cantou, o Enzo subiu ao palco e fez a declamação. Maravilhoso, inesquecível.

(procurando pelo nome dos autores da música acessei o google, não ficou claro mas creio que os autores são Fernando Dias e o próprio Enzo.

Confesso, ao voltar depois de mais de 50 anos ouvir POEMA me deu vontade de chorar, é eu sou assim.)

Esse foi o meu UMUARAMA o palácio dos meus sonhos.

Obrigado aos homens que o construíram, obrigado particularmente a você meu amigo JOÃO ESCRIVÃO.

Foto

viva águas de lindóia.

Orlei Bragato Zamboim,

Recebendo a faixa de rainha dos estudantes, Clube Umuarama, 1966. 

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