No texto anterior – A RUA SANTO ANTÔNIO, Fábiola Criscuolo nos dá um panorama precioso do que foi a rua Santo Antônio: 13 casas geminadas onde residiam alguns funcionários do Tozzi e uma escolinha, onde lecionou a prof Célia Pascoli Coli, filha do maestro Américo Pascoli, esposa do motorista de ônibus, titular da linha de Itapira, Ezio Coli.
Descreve as festas, os bailes animados, o apito do Tozzi, que impunha a lei do silêncio depois das dez da noite.
A rua Santo Antônio ficava exatamente onde hoje está o Hotel Majestic. Os 2 salões de convenções estão onde ficavam a famosa horta e o sortido pomar de nosso fundador.
É preciso lembrar que naquele tempo não havia trator de esteira, pá-carregadeira, retro-escavadeira, grua…
Tudo na raça, no muque, com carrocinha de tombo, enxadão, enxada, pá, chibanca, cavadeira, alavanca e um formigueiro de operários. Em pouco tempo, muito pouco tempo, Dr Tozzi edificou 4 hotéis: Câmara, Senado, Preferido e Gloria; a Igreja Nossa Senhora das Graças, com pinturas de pintores Alemães, acolitados pelo Murilo Antunes; o belíssimo bebedouro octogonal – atenciosas moças: Saturna e Gioconda Néspoli, Lourdes e Geni do Firmino, Rosa do Gigio serviam copos d’agua direto do nascedouro que ficava bem abaixo; A fileira de salas de banho onde o Benzão – Arcângelo Brunhara preparava as banheiras, a piscina com água morna natural; a oficina, bem onde hoje está o colégio; o engarrafamento, onde estão hoje o gramado e as clarabóias do balneário; o laboratório perto da paineira – bem no inicio da atual Praça Dr Vicente Rizzo. Era nas cercanias da paineira que estacionavam os caminhões do Piranhão, inclusive a primeira carreta dirigida pelo Chico Pascoal. Isso já na época dos Carrieri. Só garrafas de vidro, nada de plástico naquele então. Mais tarde, Rancheira veio para construir simpático galpão aberto, bem na rua encostada ao muro do Glória. Zé Renzo vendia ali suas frutas. Não durou muito porque, já nada mais era dos Tozzi – o Governo do Estado desapropriara tudo e, no governo Jânio Quadros, nasce o novo balneário, demolindo-se tudo que lá existia, tirante a piscina que ganhou uma companheira mais ampla.
A topografia local- Rua Santo Antônio e Cercanias, com o passar dos anos sofreu grandes modificações especialmente com o surgimento da Praça Dr Vicente Rizzo.
Na praça da paineira, ao lado do laboratório do Dr Credidio, onde trabalhavam Núncia Conti, Zé Maria Soares e o filho Nadir, o senador, ali nascia a Rua Santa Beatriz, com 7 casas geminadas.
Na primeira, enfeitada por um florido pé de primavera, moraram Walter e Bilia Avancini e depois a família do Aparecido Toledo, enérgico juiz de futebol.
Na segunda, o barbeiro Armindinho.
Na terceira Germano e Alice Gelmini.
Na quarta, a casa e a venda do Nhoca.
Na quinta, Romeu Pirani.
Na sexta o Dau Pelatieri e seus filhos músicos.
A ultima foi a residência do Dr Tozzi e depois do Nenê Gatolini e do Raul Domingues.
Em frente a essa vila, no outro lado da rua, ficava a carpintaria do Tozzi, comandada pelo Nenê Gatolini.
Nos fundos dessa vila, uma rampa íngreme que acabava num “Corguinho”, que uma época chegou a ser represado.
A Rua Santa Beatriz terminava na garagem – atual colégio – e ao lado, por perto da garagem, havia mais algumas casas onde moraram:
Do lado esquerdo,
Na primeira, o andejo Dito Franco,
Na segunda, Donana Rossi mãe do Roque e do Amadeu ,
Na terceira, uma sala para ensaio de banda,
Na quarta, Alexandre Gatolini,
Na quinta, Angelim Sapateiro,
Na sexta, Dona Luiza – – Vó do Pinguim.
No lado direito, em frente ao atual Hotel Freddy havia um sobrado onde moravam o benzedor de bicheiras – Valentin e Jorge, pai do Alípio, e um pouco adiante o Dito Gregório.
Guilherme Barbosa deve ter sido um funcionário graduado, pois morava numa casa separada, no final da Rua Santo Antônio, nas proximidades do atual prédio conhecido como escadão.
Já a casa do Humberto Avancini ficava destacada da Vila, no começo da Santo Antônio, onde, mais tarde, Claudio Tozzi edificou sua morada.
Uma comunidade coesa e amiga, da qual os mais antigos se recordam com muita saudade.
A topografia da região passou por drásticas transformações. Essa Rua Santa Beatriz hoje estaria no ar, no talude da Praça Dr Vicente Rizzo, um pouco abaixo da atual rua que nasce nos fundos do balneário e acaba no portão da escola.
A parte baixa da Água Quente, Rua São Paulo e Av Nações era arrabalde, onde João Frederico cultivava uvas e Rafael Giorgi, outro funcionário graduado do fundador, iniciava suas construções nas duas bandas da Rua Marco Giovanolli.
Negar, quem há de?
Nosso fundador foi um empreendedor arrojado, visionário, um Italiano arretado. Onde será que ele arrumou tanto dinheiro para construir tudo que edificou?
Consta que o Tio Padre era rico mas nem tanto!
Os quatro hotéis e o balneário certamente davam um bom lucro – os hóspedes ficavam 15 dias, mas até que os hotéis ficassem prontos, para manter aquele formigueiro de empregados, era preciso muito dinheiro.
Eta Italianinho porreta!
Para garatujar essas mal traçadas linhas, recorri à Professora Ercy Bernardi Alencastro, ao Antônio João Gatolini (que pescava no lago do Corguinho) e ao João Biscuola pelas fotos a quem agradeço.

