O “Footing” da rua Duque de Caxias -Personagens da nossa história n.4

Ismael Rielli

Entre a Casa Confiança e o beco de acesso a oficina do Mané Jorge, a mais de um metro do nÍvel da calçada, por uma escada em U, com degraus em 3 arestas, chegava-se a um conjunto de 4 lojinhas.

Na primeira, de baixo para cima, a tinturaria do sanfoneiro Zé Fabricio ( não deixou herdeiros por aqui) depois, num cômodo um pouco maior, o Correio administrado pela carioca Célia, em seguida a barbearia do Romeu Nicoletti, onde trabalharam Dedé de Inconfidentes, Didácio de Monte Sião, os Décios Biscuolas e Fregonesi e Fernandinho Biscuola e na ultima loja a sapataria do Zé sapateiro.

Nesse espaço, em frente à galeriazinha, era onde, como lagartos, os rapazes, sentados ou encostados “tiravam uma linha” com as meninas de saias rodadas (calça comprida para mulher naquela época, era proibida, foi liberada um pouco depois), aos magotes, soberanas desciam e subiam a Rua Duque de Caxias, da frente do Cine Yara até as proximidades do Hotel Yara.

A rua era delas, as recatadas donzelas da década de 60.

Falamos de uma época em que se amarrava cachorro com linguiça;  quando o plástico ainda não tinha invadido o mundo.

Canecas e canecões eram latas de extrato de tomate Elefante e das latas de azeite Maria ou Carbonel, que o folheiro Lipordino de Monte Sião rebitava e as dotava de asas.

As latas de 4 em 1: marmelada, goiabada, figada e pessegada, bem rebitadas, serviam de pratos aos mais pobres.

Muitas dessas paqueras resultaram em casamentos duradouros. Éramos felizes e não sabíamos.

O muro da Prefeitura ( hoje banco Itaú ) era bem alto no começo, ao lado do Edificio Rafael Jorge. Depois ia despontando na direção do imponente Jatobazeiro, preservado, não passava de um metro de altura. Ali também se postavam os rapazes a observar suas Divas.

No trecho que circundava a casa da Dona Aracy, bem em frente ao Cine Yara, muro relativamente baixo, mas impossível de encostar nele que era encimado por espetantes caroas de Cristo.

O Footing ocorria aos sábados e domingos. Especialmente, aos Domingos, quando os filmes eram exibidos em 2 sessões: ás 19:30h e ás 21:30h. Havia sessões todas as noites às 20:30h. Às Sextas feiras, filmes impróprios, mais ousados, com fiscalização severa na portaria.

Eram cerca de duas horas de caminhada, até quase 21:30h, quando, as que iam ao cinema entravam e as outras, filhas de pais mais severos, voltavam pra casa. 22:00h era muito tarde.

Os que perambulavam pelas cercanias do cinema eram contemplados com músicas românticas de Billy Vaughan e Ray Conniff.

oh tempora! oh mores!

ó tempos! ó costumes!

e como dói!

Nesse espaço, vivo na memória dos setentões, está hoje a galeria Carsini?

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