Ismael Rielli
Com colaboração de Maria José Pinheiro
O centro telefônico sempre funcionou no coração da cidade, na rua Duque de Caxias, ao lado da Casa Confiança, no Edifício Ritz, o primeiro da rua, cuja construção permaneceu interrompida por um bom tempo.
Era um salão não muito espaçoso com um biombo dotado de uma abertura e atrás dele, as telefonistas que trabalhavam 4 turnos de 6hs.
Na sala de espera, duas cabines para onde eram encaminhados os contemplados –ufa- com a ligação.
Serviço insalubre, as telefonistas ficavam, o tempo todo, com os fones do ouvido e tinham uma habilidade incrível para enfiar, nos buracos do painel, os cabos de conexão.
Uma barulheira infernal, com fala sempre alta.
Os interurbanos para São Paulo eram demoradíssimos. Para o Rio de Janeiro (eram muitos hospedes cariocas) nem se fale.
Os turistas costumavam fazer estações de 15 dias. Os maridos vinham nos finais de semana, deixando nos Hotéis esposas e filhos.
Para comunicações durante a semana, as madamas, logo cedo, solicitavam a ligação, atravessavam a rua e no salão do Jote faziam o cabelo e as unhas, enquanto esperavam as ligações.
Lolinha Ostan era a chefe. Com ela trabalhavam mais de uma dezena de moças e senhoras:
As irmãs Terezinha e Ivete do Dito Bicudo, Cida Renzzo, Valderez do taxista Armando Nicolai, Eliseia do benzedor Dito Firmino, (responsável pela manutenção da rede), Landa do Zezé fotografo, Maria Jose do Bastião Evaristo, Maria Antônia do Narciso Alves, Paulina do Joaquim Malaquia, Dulce do Miro Sulmam, Lucia da Perti, Regina do Carlos Jorge, Dirce Sabadini, Loide do Sertãozinho, além delas nos primeiros tempos, havia também um “telefonisto”, o Alcides que fazia o período noturno. O Alcides não era daqui, passada essa época, nunca mais ouvimos falar dele.
A Sebastiana Mariano do cheque engraxate, cuidava da limpeza.
Os Hotéis maiores passaram a ter suas próprias telefonistas como a Ercília do Cueca, no Hotel Gloria e a Lelei Barreto, do Joao Bicanca, no Tamoyo.
Forçoso reconhecer que com a “Redentora” as comunicações deram um grande salto no Brasil.
O ministro Euclides Quandt de Oliveira esteve aqui para vistorias e inaugurações e se tornou um frequentador da nossa estância.
O progresso esta acabando com nossos orelhões e os telefones fixos diminuem vertiginosamente.
Estamos no império do celular que faz de um tudo,une e desune
e vicia a humanidade.
As elegantes telefonistas: Maria José, Maria Antonia, Valderez, Teresa, Edmee, Ivete, Lola, Yolanda, Elizeia, Cida.
Foto do acervo do Zezé fotógrafo, enviada pelo professor Ismael Rielli.
Informações: Valderez Nicolai

