Ainda a Duque de Caxias – Personagens da Nossa História N17

Tínhamos parado no Hotel Brasil, demolido para que o Hotel do Lago fosse esticado.

Ao lado dele a casa do Mané Jorge – hoje a moderna loja de pé direito alto da Absoluti.

Mané, Nuncia, os filhos Shirley e Cyl Farnei moravam nos fundos já que a parte da frente era comercial e abrigava a lojinha do Martinez (por onde andarão os Martinez?) e depois do Lauro e a da Lidia, com 2 ou 3 degraus para acessá-la e a barbearia do Zé Biscuola, também um pouco acima do Rez de Chaussee.

O mesmo ocorria na casa do Dito Angeli cunhado do Mané – Maria Giorgi, esposa do Dito, era irmã do Mané.

Os Angeli Dito, Maria e os 3 filhos: Toninho, Balo e Sebastião moravam nos fundos e as duas lojas da frente sediavam a Papelaria do Aurelinho e o Bazar Matielo com seu laboratório fotográfico.

No balcão o simpático e atencioso casal Ditinho e Clarice vendiam lembranças, filmes e até máquinas fotográficas, além dos postais elaborados por sua equipe que contava com o Zito e o Zezé.

No Dito Angeli instalou-se também o Bazar do Kamei, onde trabalharam Zezinho Renzo e a Cidinha do Jocil.

Depois o próprio Dito Angeli instalou ali uma loja de louças.

Entrava-se na casa do Dito e do Mané por portõezinhos laterais.

Depois vinha o Salão Charme do Jote – uma verdadeira escola de manicures e cabeleireiras. Por lá passou muita gente, a maioria jovens que ali iniciaram suas carreiras profissionais.

Cabeleireiros: o próprio Jote, Maria Rodrigues, namorada do Edward Colli, Janete Renzo, Sonia Valesi, Teresa Cestaro, Nenê Biscuola (que mais tarde se tornaria proprietária do salão).

Manicures: Euridice da Tó, Vera Belini (que nos deixou há pouco), Maria José Biscuola, Neide da Tó, Lourdes Colli, Eleta Biscuola, Rute Belini, Nininha Toledo, Iracema Fregni.

Jote talqualmente Dito Angeli e Mané Giorgi, moravam nos fundos do salão com a esposa Lola e os filhos Edgard e Rute.

Além do salão era também do Jote a loja ao lado, onde se instaram a Casa Ritz e depois a Loja Fruchi.

Adelino Vieira, que tinha sido sócio da Casa Confiança – Secos e Molhados, construiu ao lado do Jote, um imponente sobrado com 2 residências e 2 espaçosas lojas comerciais.

Na loja térrea Adelino instalou uma movimentada loja onde vendia de um tudo: tecidos de todos os tipos, roupas feitas e armarinhos em geral.

Adelino, a esposa Maria os filhos Dito e Magali moravam atrás da loja.

Na parte de baixo, um porão confortável, moravam Aurelinho, Reinalda e as duas filhas: Arlete (que acaba de nos deixar) e Vera.

Aurelinho já não tinha mais a papelaria. Arrendara o posto Esso do Dr Credídio exatamente onde está hoje o Hotel Panorama.

Na loja de cima do sobrado do Adelino instalou-se o escritório de Contabilidade Bandeirantes do Luiz e do Nego Barbosa. Depois sediou o escritório do Dr Benedito.

Adelino foi um homem muito querido, popular sério e respeitado.

Todos confiavam nele que guardava e aplicava as economias de muita gente. Um verdadeiro banco totalmente confiável.

A maioria dos fregueses da loja do Adelino eram fregueses de caderneta. E não havia calotes. Eram todos bons pagadores e Adelino, de fala mansa, não permitia que ninguém saldasse as contas; convencia os fregueses fiéis a efetuarem novas compras, assim ele mantinha muitas contas correntes.

Dito virou Dr Benedito, quando veio de São Paulo com o diploma de advogado do Mackenzie e foi um dos pioneiros de nossa estância.

Magali foi uma professora muito querida.

Bem atrás do sobrado do Adelino havia uma capelinha dedicada à Nossa Senhora do Monte Nero.

Ao lado entre o Adelino e a Personalitá havia uma entrada que dava acesso ao açougue do Ricardo Candreva, ao gabinete dentário do Ovidio, da sapataria do Nato da Tina e das moradas da Maria Boava e suas filhas e genros como o Nene da Bastianinha.

Ps. Por falar em posto Esso do Dr Credidio

depois do Dr Geraldo, administrado pelo Aurelinho Bueno, ele ficava exatamente onde mais tarde Dr Geraldo implantou o imponente Panorama Redondo.

Era também do Dr Credídio o prédio solitário que aparece na escarpa nas fotos mais antigas com o Hotel Lindoia e o Locomóvel ao fundo. Esse prédio sediava, além do consultório do Dr Credidio, os gabinetes dentários dos cunhados Agnaldo e Hélio. Na parte baixa, no subsolo havia uma residência.

Hoje esse prédio faz parte do Hotel Cacique que felizmente, está sendo restaurado.

O Cacique, por onde passaram João Conti e Mauro Conti, foi construído pelo Nhoca onde Tica, a esposa dele, chegou a trabalhar de ajudante de pedreiro. Eta mulher arretada!

Desfile comemorativo.

Rua São Paulo antigamente.

Por onde andarão essas crianças?

Histórias do Barreiro- Maria Rosa

Marilene Oliveira.

Todas as famílias que têm uma mulher por perto com certeza estão bem servidas de amor, cuidados e ternura.

Na família Godoi, temos muitos exemplos de mulheres fortes e corajosas.

A começar pela matriarca da nossa família, Maria Rosa de Godoi, minha avó, uma mulher que, nunca frequentou uma sala de aula, mas, não poupou esforços para que todos os seus filhos fossem para a escola, isso em uma época, que, para a maioria dos pais, escola para os filhos não era prioridade. Principalmente se a criança fosse mulher, aí os pais diziam que:

___ Saber ler e escrever só serve para trocar carta com namorado, melhor é ensinar as meninas a cozinhar, costurar… 

O que não pode aprender na escola, Dona Maria aprendeu com a vida, adquirindo muita sabedoria. Era uma mulher de muitos saberes. Conhecia a erva certa para curar cada tipo de enfermidade.

Conhecia quais alimentos deveriam ser plantados em cada época do ano. Agora tá na moda as PANCs ( plantas alimentícias não convencionais), mas bem antes disso, a dona Maria já era especialista nesse assunto, era serralha no feijão, almeirão do cafezal refogado com polenta…

Conhecia também a reza e o santo certo para cada ocasião e aflição. Santo Antônio, para encontrar marido; São Lourenço, para curar feridas; São Longuinho, para encontrar objetos perdidos…

Maria Rosa era uma impressionante contadora de histórias, tinha um vasto repertório. À noite, reunia os filhos à beira do fogão para contar causos, contos de fadas,  ensinar rezas e cantigas. Mais tarde, já morando na Morangão, ela reunia em sua casa os netos e bisnetos, para contar histórias e comer bolinhos de chuva.

Era alegre, festeira, passeadeira, generosa, se soubesse que uma amiga teve neném, lá ia ela fazer uma visita, levando um frango e um pacote de macarrão.

Era um costume do bairro do Barreiro: assim que sabiam que uma comadre estava esperando criança, as outras já separavam os franguinhos para levar de presente. Assim, a nova mamãe tinha a canja garantida para o resguardo inteiro.

Dona Maria Rosa sempre ajudava os necessitados. Minha mãe contava que os pedintes que passavam pelo Barreiro, e eram muitos, nunca saíam da casa da minha avó de barriga vazia.

Quando minha mãe era criança, grupos de pessoas acometidos por hanseníase vagavam pelas estradas, segregados pela sociedade, por causa da doença contagiosa.

Eles tocavam uma espécie de sineta, para avisar que estavam passando, e minha avó, mandava minha mãe, deixar na beira do caminho, comida, moedas, sabão… 

Maria Rosa era casada com Joaquim de Godoy Neto, viveu a maior parte de sua vida no bairro do Barreiro, onde criou seus filhos.

Foi uma mulher que enfrentou muitos percalços, como perda de filhos e do marido, dificuldades financeiras. Em meio à revolução de 1932, precisou abandonar sua casa, seus pertences e fugir do Barreiro para as Três Barras, com as crianças pequenas, buscando abrigo em casa de parentes.

Ela sempre contava que cortou seu coração quando os soldados chegaram na sua casa. Eram muito jovens, estavam cansados e famintos. O capitão a aconselhou a fugir, dizendo:

___ Dona, pegue suas crianças e saia daqui, que a coisa vai ficar feia.

E ficou mesmo. Muitos jovens perderam a vida em nossas terras. No cemitério da nossa cidade, existe um monumento em homenagem aos soldados que morreram no confronto.

Em época de campanha eleitoral, minha vó, politiqueira que era, movimentava o Barreiro, buscando votos para seu candidato.

Dia da eleição no Barreiro, era dia de festa, os eleitores eram levados de caminhão, este fretado pelos candidatos, para votar na cidade.

Após votar, ganhavam um almoço, com macarrão, frango, guaraná e churrasco. Um banquete desses e a oportunidade de andar de caminhão não aconteciam todo dia, tinha gente que ia, “votar” várias vezes!

A minha avó, apesar da vida dura que levou, nunca perdeu sua alegria e sua fé.

Não perdia uma missa de domingo, uma reza, e sempre manteve a mania de fazer festa.

Merecidamente, a praça do nosso bairro leva seu nome:

Maria Rosa de Godoi.

A Saga dos Renzo III – Personagens da nossa História N16

João Frederico/A Vilinha do Nono

João Renzo – João Frederico, filho de Frederico Renzo e Fortunata Gamba, nasceu em Verona, Italia em 3 de outubro de 1888.

Com um ano de idade veio pro Brasil com os pais e mais dois irmãos Ângelo e Giuseppe.

De pequena estatura 1,65m, soube preservar boa parte da herança que lhe deixara o pai, Frederico, latifundiário de umas terras onde nascera a cidade de Água Quente.

Casou bem cedo com 19 anos em 1907 com Delmina Davi.

Desse enlace nasceram:

  • Donato Ventura – Nato 13/06/1908 – 7 filhos
  • Pascoalina – Páscoa – 3 filhos:
  • Humberto – Berto – 2 filhas
  • Vitalina – Talina
  • Dozolina – Lica – 5 filhos
  • José Oliveiro – Zéquinha – 5 filhos

Enviuvou muito jovem, já que com 37 anos, no dia 24/07/1926 se casou em segundas núpcias com Maria Passagnolo, 20 anos,

  • Italiana também, filha de Antônio Passagnolo e Adelina Biscuola.
  • Na certidão de casamento ele aparece com o nome de João Renzo Frederico.
  • O juiz de casamento era João Elias de Toledo Lima.
  • João Frederico, viúvo, 17 anos mais velho, com Maria Passagnolo.

Dessa união nasceram 7 filhos:

  • Odete – 2 filhos
  • Creme – 3 filhos
  • Mario Ivo – 1 filho
  • Armando – 3 filhos
  • Rubens – 2 filhos
  • Oswaldo – 1 filho
  • Luiz Antônio – 2 filhos

As vilinhas do nono

Deve ter sido sua principal fonte de renda o aluguel das casinhas de suas vilinhas, muito bem localizadas no centro da cidade.

Ficavam na Rua Espirito Santo, Zéquinha de Abreu, naquele tempo em ambos os dois lados, atrás de onde hoje estão o Hotel Casablanca e o edifício Marrocos (engraçado os Helou são oriundos de Beirute, Líbano, mas têm um xodó pelo encantador e exótico Marrocos).

Entre o Vera, o Romano e o Casablanca ficava a maior parte da vila, uma fileira de casas geminadas, umas 10, talvez.

Do lado direito, atrás do Marrocos, a morada do patriarca rodeada de várias casinhas, todas de aluguel.

Nessas vilinhas morou muita gente, um conglomerado de famílias em perfeita harmonia tinham ali seu teto em nossa incipiente Thermas de Lindóia.

Por ali passaram, ali viveram, dentre outros, com possibilidades de involuntárias omissões:

Na primeira casa, bem na beiradinha de um barranco alto moraram a Amália, o Zé Bernardo e seus seis filhos: Angelin – Lim, Fernandes, Antônio, Gema, Zé Julio e Pedro Roberto. Tinham morado antes no sítio de meu avô, nos pés do Morro Pelado.

Zé Bernardo, de voz mansa, era o coletador de lixo numa carrocinha puxada por um burro manso e inteligente que conhecia o trajeto e todos os pontos de paragens.

Eram duas carrocinhas: a do Zé Cancherini e a do Pedro Zamboim e davam conta do recado. Como crescemos! Quantos são os caminhões de lixo hoje? Quantos garis?

Amália era uma benzedeira respeitada, muito procurada, muito falante e caridosa.

Quando os Cancherini construíram sua casa na Rio de Janeiro, desocupada a casinha da vila, ocupou-a a família do Zé Piscineiro.

Dona Tó, o marido charreteiro PedroFranco e sua vasta prole moraram lá por um bom tempo.

O time da Tó estava assim constituído: Zezé, Berto, Chicão, Caçula (que não era o caçula), Pedrão, Nélson, Clovis, Euridice, Neide e Irma.

Marcelinho Matielo a esposa Maria os filhos Ester, Zito Fotógrafo e Méia.

Zezé Fotografo com a Landinha e os filhos.

O carapina Joanim Canela, a esposa Benedita os filhos Terezinha, Antônio e Gelmini (pai da Poliana)

Toninho Biscuola e suas sete mulheres.

Maria José Biscuola, recém casada com Zé Carlos.

Tranquilo Brunhara com a esposa Joana Matielo e os filhos.

Tereza Tafner, mãe da Reinalda do Aurélinho, da Tite do Lola, da Julia do Nelson. Avó da Vera, da Arlete, da Bete…

Nelson Moraleti e Jandira Pirani.

Laura do Américo Encanador pais da Vistosa Esmeralda.

O pintor Jovino Bressan.

Daniel eletricista pai da Lourdes do Airton e da Rosângela.

Helena Gusson com o marido Edmundo Damaso pais do Airton.

Antônio Rodrigues dos Santos – Toninho Pipoqueiro

Armindo Rodrigues dos Santos, Dos Coquinhos.

Alfredão do Parque e Dona Antônia.

Dorvina Corá e sua trempa de filhos,

Familiares do Patriarca: Tia Creme, Tio Vardão e Tia Talina.

Julia do Tirijo e o Lazo da Julia.

Abdou e Alice, recém chegados do Líbano.

Família do Açougueiro Dito Bicudo e os filhos casados.

Toninho com a Euridice da Tó (vizinha), Terezinha Telefonista e Mario Bolognesi Garçon.

Alfredo e Severina, mais conhecida como Sibirina, pais de Ilíria, mãe do Groselha, da Inha e do João da Nereide.

Sibirina era mãe também de:

Tato; Cido Paceta e o caçula Mauro, rapagote expedito e atencioso balconista da movimentada Casa Confiança.

Lola marido da Tite, motorista da Cometa na linha de Campinas, pais do Claudemir.

Zé Florencio e Dona Luiza, pais da Olivia mãe do Pinguim da Marilena e do Beto da Tânia.

Bertão, Virginia e a filha Anésia.

Bertão era operador do saudoso Cine Yara em cujo espaçoso saguão, ao pé da escada que dava acesso ao Pulman (parte alta do cinema, com poltronas estufadas, com ingresso mais caro), Virginia tinha seu balcãozinho onde vendia os Drops Dulcora, a delicia que o paladar adora, embrulhadinhos um a um. Instalaram depois na parte externa, ao lado da bilheteria uma máquina de Sorvete Estruzado, feito na hora, com grande sucesso.

O caçula Toni protagonizou cena antológica do conhecimento geral.

Descendo pela calçada da direita a íngreme Espírito Santo, desequilibrou-se e caiu no colo da Gelmina, manicure do salão da Helena. Também, onde já se viu uma porta rente à calçada mais baixa do que o Rez de Chaussée?

A Passagnola era uma Megera. Os filhos cortavam um doze nas mãos dela.

Apreciava muito as jabuticabas doces da copada jabuticabeira do seu quintal. Saboreava-as in loco, nos próprios galhos onde chegava com a ajuda de uma escada. Um dia o caçula Tony tirou-lhe a escada. Foi um bafafá.

Os caçulas Tony, Vardão e o neto Texaco eram os encarregados de arrecadar os alugueres. Eram os Zaqueus do João Frederico.

Com a colaboraçao de, Oswaldo(fotos) Alice, Texaco e Janete – todos Renzo.

A SAGA DOS RENZO II – Personagens da Nossa História N15

Texto: Ismael Rielli

Colaboração: Don Texaco, Janete Rielli e  Alice Renzo.

Digitação, fotos e revisão, Rodrigo Martins e Ismael Rielli.

          ” O texto”

Dos 5 filhos do Frederico, apenas o 3º Giovanni, o João Frederico manteve as terras que herdou.

Os demais se desfizeram delas e buscaram outros caminhos: Maria e Vitório para São Paulo, Ângelo, para Leme e Giuseppe foi para Serra Negra e depois voltou.

Giuseppe era bem pobre quando partiu dessa para outra melhor.

Era bem vasta a área que coube ao João, exatamente no coração onde nasceria nossa estimada estância, entre a Av das Nações e a Rua Marco Giovanoli, depois Duque de Caxias, hoje Rua São Paulo.

Sem o canal, Av das Nações, em muitos trechos era brejo.

A gleba do “Nonno” começava no bar do Rubem Cueca, loja Personalitá, ate o Edifício San Thomas, uma testada de cerca de uns 200m.

Terra naquela época não tinha grande valor e consta que João Frederico chegou a pagar honorários médicos ao Dr Tozzi com um lote, onde se construiria mais tarde a Prefeitura, atual banco Itaú.

Com a morte da primeira esposa Delmina, coube a cada filho uma fatia de terra, começando com Nato, o primogênito, até Zequinha, o caçula.

Os lotes do Nato, da Talina, da Lica e do Zéquinha, mais estreitos, iam da Rua Duque de Caxias até a pantanosa Av das Nações.

Já os da Páscoa e do Berto, mais largos, ficavam: o da Páscoa na Duque de Caxias (Cinderela e Enxovais da Alice); o do Berto na Avenida (Rancho da Nega).

O grupo Helou adquiriu os lotes da Páscoa, do Berto e metade do lote da Lica.

Pepino da Ivonete comprou a parte de cima do terreno da Talina; Gigio Andreata ficou com a outra metade.

Na fazenda do Frederico Renzo nasceu uma cidade aconchegante, encantadora, acolhedora, aprazível, saudável, protegida por verdes montanhas, um vale encantado, nossa querida Pérola das Estâncias.

João Frederico e Maria Passagnolo casaram – se em 24 de julho de 1926. Ele, viúvo, com 37 anos. Ela, solteira, com 20. Dessa união nasceram 7 filhos: 2 mulheres e 5 homens.

1 – Odete – (Tia Dete) casada com o viúvo Aristeu Rodrigues, pais de Noeli e Isabel Cristina.

2 – Clementina (Tia Creme) casada com Armando Pereira, de Serra Negra. Quando Mario Ivo inaugurou o posto Texaco, trouxe para frentista o cunhado Armando que ganhou o apelido de Texaco. Apelido esse que passou pros dois filhos Texaco e Texaquinho.

A primogênita é Sueli Aparecida; Carlos Roberto é o Texaco e Mário Sérgio, o Texaquinho.

3 – Mário Ivo casado com Arlece Lopes pais do competente fisioterapeuta Lizandro.

4 – Armando casado com Benedita Perolim, (Tia Tica), pais da Roselena, Armandinho e Luciane.

5 – Rubens, casado com Ercília do Florêncio, pais de Rosana que mora nos States e do Rubinho da Personalitá.

6 – Oswaldo casado com Euridice pais de Humbertinho.

Viúvo casou – se com Ivanize.

7 – Luiz Antônio (Tony), casado com Margarida, pais de Michele (Professora) e Thiago (Advogado), moram em Alfenas.

Ao ser chamado no convívio do Senhor, no dia 27 de fevereiro de 1972, João Frederico deixou um bom quinhão para cada um dos 7 filhos da segunda safra.

Tia Odete ficou com a morada nova do pai, na Rua Espírito Santo – sede de Auto Escola Nacional.

Tia Creme ficou com o barracão do antigo cinema e um apartamento no Adibulk.

Mário Ivo com dois lotes na Avenida: Posto Renzo e Edifício Marrocos.

Rubens, com apartamento e loja no Adibulk onde funcionavam o Bar do Cueca, a Imobiliária  do Cueca, em parceria com o Amadeu Português, atual Personalitá.

Armando construiu um confortável sobrado na Espírito Santo.

Os caçulas Oswaldo – Vardão e Tony, em parceria com os Helou, ficaram com apartamentos no Fenícia.

Entrementes, os herdeiros se desfizeram da área do Rosa Pirani, do pastinho do Nonno lá em cima, atrás da prefeitura e da romântica e acolhedora “Vilinha do Nono” entre o Vera, o Romano e o Hotel Casablanca.

Em parceria ou em aquisições, a quase totalidade das terras do João Frederico pertence hoje ao grupo Helou, perspicazes descendentes de Fenícios, os grandes latifundiários do centro da cidade.

Os Renzo na politica:

3 vereadores: Quico Renzo Goulart, Janete Delmina Renzo e Andrea Renzo Dadhal, além do eficiente, dedicado “dono” da câmara, o Texaco.

João Frederico -03 de outubro de 1888

Verona – Itália- 28 de fevereiro de 1972

Águas de Lindóia – Brasil

A Saga dos Renzo – Personagens da nossa história n 14

Corria o ano da graça de nosso senhor Jesus Cristo de 1889, ano da república.

Federico Renzo, a esposa Fortunata Gamba deixam sua terra natal, Verona, de Romeu e Julieta, com seus três filhos crianças rumo ao Brasil, para “Fazer a América”.

Eram 3 filhos homens: Ângelo com 9 anos, Giuseppe com 6 e Giovani com 1 ano.

Os italianos daquele então eram muito trabalhadores e não temiam o cabo do guatambu. Vieram para a lavoura de café, na Fazenda Santo Aleixo, de Amparo. Ali nasceram mais dois filhos: Maria e Vitório.

Mourejou e conseguiu amealhar alguns contos de réis, o suficiente para comprar um belo sítio de 27 alqueires.

A fazenda do Federico abarcava todo o centro de Águas de Lindóia: das fraldas do morro do Hotel Bela Vista para além da Olaria. Av Brasil; do Hotel Lindóia à Vila Neusa e Vila do Aristides; confrontando com a parteira Eleta Gianotti.

Plantou café, formou pomares e parreiras. Produzia e comerciava vinho. Um de seus fregueses de vinho foi o Dr Tozzi de Serra Negra, que ele convidou pra investir nas Águas Quentes.

Os filhos de Frederico

I – Ângelo.

Vendeu sua herança e mudou pra Leme, onde constituiu família.

II – Giuseppe – (Zé Renzo) casou duas vezes.

Com Maria Bergantina teve um único filho Nato sapateiro e conserva do DER: o Nato da Tina. Fortunato em homenagem ao avô.

Enviuvou cedo e casou com Maria Buzato com quem teve 8 filhos.

1-) João Batista – Tico – casado com Aparecida Formagio.

2-) Odila casada com João Goulart – mãe do Zezinho, do Joãozinho e do Quico.

3-) Enery casado com Maria Franco, avós da vereadora Andréia.

Viúvo, casou com Quinha Maittestiner, irmã do cunhado Zeca.

4-) Liberina que foi esposa da Paixão

5-) Maria Aparecida (a única viva) esposa do Luís Roque.

6-) Elisa casada com Zeca Maittestiner

7-) Ângelo casado com Teresa

😎 Ramiro

III – Giovani (João) Frederico, isto é filho do Frederico nasceu na Itália em 3 de outubro de 1888.

Também teve 2 casamentos com Delmina Davi e com Maria Passagnolli.

O primeiro casamento deu-lhe 7 filhos.

Donato Ventura casado com Lazinha Dizério (1917-2008) pais de :

Lilo – Pascoalino, Quinho – Antônio Ventura, João – Grande Damista,

Rosa, Helena, Alice, Lucia. Nato Renzo foi oleiro na juventude. Na olaria na praça do Nicolau, no Lico Esportes, havia uma olaria.

Depois, por muitos anos, Nato foi funcionário dos Hotéis Lindóia e Glória. Cuidava da caldeira.

Os filhos Lilo e Quinho, garções de truz trabalharam no famoso Fazano em são Paulo.

João, damista festejado, grande nadador era o porteiro noturno do Hotel Glória e companheirão do Marcelo Gavazi.

As meninas da Tia Lazinha, todas elas foram e são moças prendadas na jardinagem no bordado, na pintura e no bem querer.

2-) Pascoalina – Tia Páscoa foi casada com Dito Dorta e teve três filhos: René, Zinha e Edson.

3-) Humberto Renzo – Tio Berto, o Berto da Nega (Adelaide Altafini) grande cozinheiro tiveram duas filhas; Romilda e Guiomar.

4-) Vitalina – Tia Talina foi casada com Avelino. Não tiveram filhos.

5-) Tia Lica – Dezolina casada com o pedreiro Antônio Fini era a mãe de : Luzia , Vera, Carlos, Wilson, Didi e Teco.

6-) Zequinha, o caçula, extraordinário pedreiro, sobrevivente da terrível queda da platibanda do Cine Yara, em construção . Acidente que traumatizou nossa história.

José Oliveira Renzo – casou com Laura do Zé Maneco – tiveram 5 filhos

José Orivaldo, Janete Delmina, Jane Aparecida, João Nelson, Julio César.

IV-)MARIA RENZO

Vendeu sua herança, Hotel Lindóia e adjacências.

Casou com um paulistano e mudou para são Paulo.

Os Renzo que ficaram por aqui são os descendentes do José, do João e Bastião Renzo, filho do Vitório.

Os outros buscaram novos caminhos.

Merece notar também que os Italianos e seus primeiros descendentes brasileiros, quando enviúvavam, loguinho casavam de novo já que sempre tinham proles numerosas e precisavam de ajuda na criação dos filhos.

As Italianas de hoje não querem saber de filhos: nenhum, um ou dois, no máximo.

V-)Vitório

O caçula de Frederico, Vitório casou com Anina. Tiveram 5 filhos.

Bastião casado com Anita pai da Cida Renzo, Neri, Antônio Henrique, Angelina e, Amélia, Aparecido.

Colaboraram: Zezinho e Quico Goulart, Rosa, Alice, Cida e Janete Delmina Renzo.

Foto:Família Renzo.

Pintura:Quadro de José Lima, nosso querido, Zezé fotógrafo.

O Hotel Brasil do Morangão e da Dorvina -Personagens da nossa história N13

Ficava na Rua Duque de Caxias, ao lado do Hotel do Lago.( hoje Rua São Paulo).

Era um hotel familiar – Morangão na cozinha e Dorvina uma factótum.

O casal teve quatro filhos homens que também ajudavam: Cidinho, Toninho, Zito e Chico.

Cidinho, exímio garção. Inicialmente em São Paulo trabalhou na churrascaria Rio Branco, perto do Largo do Paissandu.

Depois foi sócio de famosos restaurantes da capital: Via Veneto na Alameda Barros, Santa Cecília e dos dois Padock: da São Luís e do Jardins.

Como era moda, dois irmãos: Cidinho e Zito, casaram com duas irmãs: Lígia e Mirtes, filhas da carioca dona Belina, moradora da Vila Roberto.

Ligia tinha uma lojinha de bijuteria na frente do hotel, que ficava um pouco retirado da calçada, enfeitado por um jardinzinho com belas roseiras carinhosamente cultivadas pela Dorvina.

Quando demolido, peguei alguns galhos da roseira da Dorvina para plantar em casa.

Toninho do Morangão paquerava e casou-se com Teresinha D’Oliveira, funcionária da loja de bolsas do Bulk, quase em frente, do outro lado da rua, ao lado do hotel do Joaquim Roque, onde está hoje a galeria Yasmin.

Filho único – Antônio Henrique – homenagem ao pai e ao avô, Corintiano de quatro costados, como o pai, Antônio Henrique, foi diretor em Águas de Lindóia, em Monte Alegre e agora em Lindóia é um grande divulgador de esportes na região.

Filhos da Isaura, Davino e Esmeraldo eram agregados da família e ajudavam Morangão na cozinha.

Os trocados que conseguiu amealhar, Morangão aplicou-os num terreno do Sertãozinho, na caída pro Barreiro. No lombo de burros levava material para edificações de algumas casinhas. É por isso que a parte baixa da rua Mogi Mirim até hoje é conhecida como Vila Morangão.

Dos 4 filhos do Morangão, 3 eram bons de bola, especialmente Zito, centeralfo e Toninho no ataque.

O apelido “Morangão” que pegou forte e passou pros filhos e netos, foi pespegado por uma hóspede que adorava os doces de morango que o mestre cuca Henrique Corsi, chapéu alto na cabeça, preparava.

O Hotel Brasil, bem no coração das Thermas, era eminentemente familiar e aconchegante, ao lado do já duplicado (construído em 3 etapas) majestoso Hotel do Lago.

Corsi também, Nini do Hotel do Lago propôs e Morangão topou:

Eu lhe construo um hotel novo e maior e fico com 10m de testada de seu terreno, demolido o hotel, para terceira ampliação do Hotel do Lago. E assim se fez. Com o mesmo nome nasceu, na Avenida das Nações, o novo Hotel Brasil, administrado por muitos anos pelo corintiano, vereador e vice prefeito Toninho Morangão.

Vendido para Nelson Canelói, e depois para o grupo Helou, reformado, o Hotel Brasil, virou Hotel Casablanca.

Não são muitos os descendentes de Dorvina e Morangão.

Zito, excelente motorista, levava hóspedes cariocas pro Rio – era muito comum naquela época, motoristas daqui, nos carros dos hóspedes, leva-los para São Paulo e pro Rio. Muitos cariocas frequentavam nossa estância.

Uma pavorosa trombada na Dutra, ainda não duplicada, destruiu o Cadilac que Zito pilotava, ceifando-lhe, precocemente a vida, deixou uma linda filha, Sandra Regina, que vive  com sua mãe Mirtes na Califórnia, USA, há muitos anos.

Do casamento de Chico com Virgínia nasceram Alexandre e Adriano.

Em segundas núpcias Chico foi casado com Ana.

Do segundo casamento de Cidinho com Almira, nasceram: Patrícia e Henrique.

Antônio Henrique, o querido Moranguinho é filho único de Toninho com a Terezinha.

Fotos:

  • O querido Morangão.
  • Hotel Brasil sendo construído.
  • Hotel Brasil pronto.
  • Atualmente o Hotel Casablanca.

Padre Eduardo vs Padre Chiquinho – a mudança de padre -Personagens da nossa história N12

Professor Ismael Rielli.

Se OZ tem um mágico, nós também temos o nosso Udine: Gilberto Pinheiro.

No concurso ”conte pra gente” de 1986, do FUMEST, o colégio Tozzi abiscoitou dois prêmios: 3 lugar para Fabiola Criscuolo com “A Rua Santo Antônio” e Gilberto Pinheiro, 5 lugar com “A Mudança do Padre”, que transcrevemos a seguir, com autorização do autor. Como prêmio, Gilberto ganhou um fim de semana no hotel Glória de Peruíbe. Levou a namorada Neusa Nucci, esposa e mãe de seu filho.

Dezessete de janeiro de 1975; sete horas da manhã. Eu e Pedro, um amigo que conheço desde a infância, engraxávamos sapatos juntos. É impossível falar de minha infância, sem falar em seu nome.

– Beto acorda! A turma já “tá” indo pra casa do padre, se você demorar vamos ter que ir sozinhos.

– Você trouxe a bola? Perguntei-lhe.

– Claro que trouxe! Respondeu-me. Tomamos um bom café e fomos.

-“Bença” Padre.

– Deus te abençoe meu filho.

Que bom, íamos fazer um piquenique no Cavalinho Branco, um lugar bonito, cheio de pinheiros, com um lindo lago e lugar para nós jogarmos bola.

Padre Eduardo era quem nos levava, iam muitas pessoas, uns sobre os outros no fusca do padre. Ele era muito bom, levava sanduíches, balas e não deixava a gente apanhar dos grandões, também perdoava os pecados de quem fizesse a primeira comunhão.

Era espanhol, gordo, inteligente, usava óculos, era autoritário e um tanto quanto conservador, mas apesar de tudo era bom. Na volta do piquenique tudo era bagunça, nós quase virávamos o fusca do padre com tanta bagunça. Ninguém entendia nada ; eram os nossos berros misturados com a voz do padre espanhol que tentava acalmar nossos ânimos. Quando chegávamos, o padre fazia o “aleluia” das balas que sobravam.

O tempo foi se passando, e com ele, nossa mentalidade foi evoluindo. Já estávamos preparados para ter as aulas de catecismo. Todos os sábados e domingos o padre avisava na igreja, sobre o local onde nos inscrever para ter as primeiras aulas de catecismo. O local era a creche e quem dava a aula era a Madre Telvina, uma senhora muito simpática e bondosa.

Foram-se alguns meses de preparação, muito estudo, muita bagunça e muita briga.

Era chegado o dia da nossa primeira confissão. Era aquele medo! Todos contentes por serem perdoados, mas nervosos por terem que contar certas coisas íntimas ao padre. O local dessa primeira confissão foi a creche.

Cada pessoa que entrava na sala de confissão, o padre recebia com um sorriso, que demonstrava sua imensa alegria por poder, através de Deus, perdoar nossos pecados. Isso foi num sábado, no domingo seria o dia em que iríamos comungar.

Foi um grande dia! Jamais esquecerei.

O padre fez o sermão, mas eu lembro muito pouco o que ele disse, uma das frases que me marcou foi quando ele disse que nós não poderíamos deixar de frequentar a igreja, deveríamos ir sempre, pelo menos uma vez por semana.

Lembro-me que nos primeiros três meses todos aqueles que fizeram a primeira comunhão comigo continuaram frequentando a igreja.

O tempo foi se passando. Alguns continuaram frequentando, outros abandonaram o estudo para trabalhar, e assim novos rumos fomos tomando. Da turma dos que fizeram a primeira comunhão comigo, poucos continuaram a frequentar com assiduidade.

O padre se lamentava, e em quase todas as missas pedia para que as mães mandassem seus filhos para a igreja. Onde que ele encontrasse com a gente, pedia para que fôssemos a missa.

Conheço muitas pessoas que continuaram a frequentar a igreja por influência dos pais, principalmente as meninas. Também conheço pessoas que realmente gostavam. Outras iam para serem coroinhas.

Infelizmente, conheço outras que não iam mais a igreja, estavam tomando outros rumos, os primeiro a ter contato com a droga em nosso bairro.

No pequeno bairro, todos logo ficavam sabendo, inclusive o padre, que na igreja dava mil conselhos, falava e orava por eles. Era realmente triste ver amigos nesta situação.

Ele falava um pouco rápido e enrolado, poucas pessoas entendiam e, como disse no começo, ele era um pouco conservador e apesar do seu esforço, não conseguia atingir os jovens diretamente. Faltava algo. Havia na cidade pessoas que não simpatizavam muito com ele, por motivos que desconheço.

Como todo ser humano, padre também descansa e, sempre que podia, viajava para sua terra natal a fim de rever sua família. Foi numa destas viagens que ficamos sabendo do seu falecimento.

Foi um surpresa muito desagradável, ninguém esperava, ele que parecia ser tão sadio, de repente… morre!

Realizou-se a missa do sétimo dia. Muitas pessoas estavam presentes, todos tristes com sua morte, mas ao mesmo tempo conformado por ele ter morrido ao lado de sua família.

Passou-se algum tempo e havia uma pergunta no ar: quem será o novo padre?

O município é grande e precisa de um padre.

Nesse ínterim as missas estavam sendo rezadas pelo padre de uma cidade vizinha (Monte Sião) e por um diácono.

A situação permaneceu inalterada, até que um dia algumas faixas anunciaram a chegada do novo padre: ”seja bem vindo padre Chiquinho”. Quando li, logo imaginei um padre pequeno e velhinho. Eu não o conheci quando de sua chegada, mas fiquei sabendo que ele foi muito bem recebido, tendo causado ótima impressão e gostado da cidade.

Eu estava trabalhando num dos dias de carnaval, quando um amigo chegou e disse que tinha conhecido o novo padre. Eu logo perguntei se ele tinha ido à missa na noite de carnaval, e ele me respondeu que não, que havia conhecido o novo padre brincando no carnaval!

Fiquei um tanto espantado. Mas era verdade! Ele, além de fumar e beber uma cervejinha, também brincava carnaval!

Foi um choque pra min e para muitas outras pessoas. Umas acharam ótimo, outras um absurdo, outras pensavam em abandonar o catolicismo e, em meio a tanta polêmica, ouvia-se dizer que em suas missas ele falava muito bem, era prático e tinha uma incrível facilidade de se adaptar ao meio jovem.

É francês, baixo, magro e usa barba. Não anda de batina pelas ruas, quem não o conhece jamais diz ser ele um padre.

Um mês após sua chegada, já havia conquistado muitas pessoas. Em seus sermões ele dizia que se alguém tem algo pra falar contra ele, que não faça fofoca, vá até ele e fale. Eu vi muitas mulheres, dessas que falam da vida de todos, junto do novo padre.

Dizem que em campinas ele realizou grandes trabalhos na reabilitação de prostitutas, viciados e mães solteiras e que pretende fazer o mesmo aqui.

Quem tem algum desses problemas e ouve algo assim, fica contente em saber que não está só e que a igreja da qual faz parte pretende ampara-lo.

É constrangedor sentir que tantas normas deixadas pelo outro padre não tem muito sentido para esse. Mas ao mesmo tempo é animador sentir que a “massa” está gostando. É ótimo perceber que pessoas que me pareciam frias, agora estão se sensibilizando. Os marginalizados já estão sentindo que podem e devem novamente frequentar a igreja. Isso talvez sirva de alavanca para uma pequena, ou quem sabe, grande melhora.

A mim particularmente, o novo padre está indo contra alguns de meus princípios. Mas isso não é problema, pois os meus princípios e de muitos outros não estão errados, mas não estão sendo vistos a luz de nossa época.

Não vamos mudar nossos princípios, pois pra mim são imutáveis, mas podemos ampliar nossa visão em relação a eles.

Abaixo cito uma opinião de uma senhora com relação ao novo padre. Uma dessas senhoras que praticamente todos os domingos está na igreja.

Ei-la:

– “Bem…sei lá” Eu gostava mais do padre Eduardo, mas estão falando que em todos os lugares está assim, muda tudo, é tudo novo, eu não sei se, o padre Eduardo tivesse vivo, ia ser assim também!”.

Agora a opinião de um jovem, desses que só vão a missa em datas especiais:

– Eu achei legal; o padre disse que vai organizar reuniões de jovens. “Eu quero frequentar, pois o padre é o maior barato”.

Dona Aracy

João Eduardo Biscuola

Uma bela lembrança e uma linda história Dona Araci Bocault e a fundação do Hospital Geral Dr Francisco Tozzi.

O Hospital Geral Dr. Francisco Tozzi – Santa Casa de Misericórdia, nasceu do sonho de uma senhora chamada Aracy Boucault Tortelli e um grupo de 24 sócios.

Dona Aracy era uma senhora dinâmica, cheia de entusiasmo, corajosa, vendo a necessidade do povo de águas de Lindóia, em relação à saúde e preocupando-se também com os visitantes que não tinham aqui nenhuma segurança, caso precisassem, resolveu fundar o Hospital. Pediu terreno e ganhou da Família Tozzi. Lutou, fez vários apelos pela Rádio Mairink, do Rio de Janeiro, onde contava Histórias de Águas de Lindóia. Abriu um livro chamado “Livro dos Camelos”, significando esse nome, trabalho no deserto. A sede da campanha em prol da construção do Hospital foi em uma das salas do Balneário. Dona Miriam Tozzi, benfeitora do Hospital, com a idade de 13 anos colaborava com a Campanha de D. Aracy , chamando a atenção dos visitantes, que além de contribuir com dinheiro, assumiam um compromisso assinando o “Livro dos Camelos”.

Em prol da Campanha de D. Araci, foi construída a “Boite Camelo”, por pessoas da comunidade, no terreno que pertencia ao Dr. Vicente Rizzo, hoje Edifício Vera, na rua São Paulo. Todo sábado havia bailes e para abrilhantar as festas e bailes formou-se um conjunto musical com músicos da cidade que tocavam gratuitamente.

Em 1954 uma parte do Hospital já estava construída e funcionava como Posto de Saúde. O hospital História Departamentos Serviços Convênios

No dia 12/08/1955 o Hospital já construído foi doado para as Irmãs Franciscanas Missionárias do Coração Imaculado de Maria, com a incumbência de equipar e colocá-lo em funcionamento no prazo de seis meses. E, finalmente após muita luta e determinação no dia 05/02/1956 aconteceu a inauguração do Hospital com a nova denominação Hospital Geral Dr. Francisco Tozzi. Em vinte cinco de maio de 1972 foi acrescentado em sua denominação Santa Casa de Misericórdia. Portanto, é uma Entidade Civil, Filantrópica, sem fins lucrativos, de caráter hospitalar.

D. Aracy com sua grande boa vontade, coração magnânimo e generoso, soube enfrentar lutas, suplantar obstáculos, para concretizar o seu sonho “ fazer o hospital para acolher os pobres e ricos, aliviar as dores da humanidade”. Dizia sempre “Lutem Sempre pelo mesmo ideal, Não deixem morrer nossos sonhos!”

Fotos: dona Aracy.

Hospital, quando era só um sonho e hoje.

A Rua Santa Beatriz – Personagens da Nossa História N11

No texto anterior – A RUA SANTO ANTÔNIO, Fábiola Criscuolo nos dá um panorama precioso do que foi a rua Santo Antônio: 13 casas geminadas onde residiam alguns funcionários do Tozzi e uma escolinha, onde lecionou a prof Célia Pascoli Coli, filha do maestro Américo Pascoli, esposa do motorista de ônibus, titular da linha de Itapira, Ezio Coli.

Descreve as festas, os bailes animados, o apito do Tozzi, que impunha a lei do silêncio depois das dez da noite.

A rua Santo Antônio ficava exatamente onde hoje está o Hotel Majestic. Os 2 salões de convenções estão onde ficavam a famosa horta e o sortido pomar de nosso fundador.

É preciso lembrar que naquele tempo não havia trator de esteira, pá-carregadeira, retro-escavadeira, grua…

Tudo na raça, no muque, com carrocinha de tombo, enxadão, enxada, pá, chibanca, cavadeira, alavanca e um formigueiro de operários. Em pouco tempo, muito pouco tempo, Dr Tozzi edificou 4 hotéis: Câmara, Senado, Preferido e Gloria; a Igreja Nossa Senhora das Graças, com pinturas de pintores Alemães, acolitados pelo Murilo Antunes; o belíssimo bebedouro octogonal – atenciosas moças: Saturna e Gioconda Néspoli, Lourdes e Geni do Firmino, Rosa do Gigio serviam copos d’agua direto do nascedouro que ficava bem abaixo; A fileira de salas de banho onde o Benzão – Arcângelo Brunhara preparava as banheiras, a piscina com água morna natural; a oficina, bem onde hoje está o colégio; o engarrafamento, onde estão hoje o gramado e as clarabóias do balneário; o laboratório perto da paineira – bem no inicio da atual Praça Dr Vicente Rizzo. Era nas cercanias da paineira que estacionavam os caminhões do Piranhão, inclusive a primeira carreta dirigida pelo Chico Pascoal. Isso já na época dos Carrieri. Só garrafas de vidro, nada de plástico naquele então. Mais tarde, Rancheira veio para construir simpático galpão aberto, bem na rua encostada ao muro do Glória. Zé Renzo vendia ali suas frutas. Não durou muito porque, já nada mais era dos Tozzi – o Governo do Estado desapropriara tudo e, no governo Jânio Quadros, nasce o novo balneário, demolindo-se tudo que lá existia, tirante a piscina que ganhou uma companheira mais ampla.

A topografia local- Rua Santo Antônio e Cercanias, com o passar dos anos sofreu grandes modificações especialmente com o surgimento da Praça Dr Vicente Rizzo.

Na praça da paineira, ao lado do laboratório do Dr Credidio, onde trabalhavam Núncia Conti, Zé Maria Soares e o filho Nadir, o senador, ali nascia a Rua Santa Beatriz, com 7 casas geminadas.

Na primeira, enfeitada por um florido pé de primavera, moraram Walter e Bilia Avancini e depois a família do Aparecido Toledo, enérgico juiz de futebol.

Na segunda, o barbeiro Armindinho.

Na terceira Germano e Alice Gelmini.

Na quarta, a casa e a venda do Nhoca.

Na quinta, Romeu Pirani.

Na sexta o Dau Pelatieri e seus filhos músicos.

A ultima foi a residência do Dr Tozzi e depois do Nenê Gatolini e do Raul Domingues.

Em frente a essa vila, no outro lado da rua, ficava a carpintaria do Tozzi, comandada pelo Nenê Gatolini.

Nos fundos dessa vila, uma rampa íngreme que acabava num “Corguinho”, que uma época chegou a ser represado.

A Rua Santa Beatriz terminava na garagem – atual colégio – e ao lado, por perto da garagem, havia mais algumas casas onde moraram:

Do lado esquerdo,

Na primeira, o andejo Dito Franco,

Na segunda, Donana Rossi mãe do Roque e do Amadeu ,

Na terceira, uma sala para ensaio de banda,

Na quarta, Alexandre Gatolini,

Na quinta, Angelim Sapateiro,

Na sexta, Dona Luiza –  – Vó do Pinguim.

No lado direito, em frente ao atual Hotel Freddy havia um sobrado onde moravam o benzedor de bicheiras – Valentin e Jorge, pai do Alípio, e um pouco adiante o Dito Gregório.

Guilherme Barbosa deve ter sido um funcionário graduado, pois morava numa casa separada, no final da Rua Santo Antônio, nas proximidades do atual prédio conhecido como escadão.

Já a casa do Humberto Avancini ficava destacada da Vila, no começo da Santo Antônio, onde, mais tarde, Claudio Tozzi edificou sua morada.

Uma comunidade coesa e amiga, da qual os mais antigos se recordam com muita saudade.

A topografia da região passou por drásticas transformações. Essa Rua Santa Beatriz hoje estaria no ar, no talude da Praça Dr Vicente Rizzo, um pouco abaixo da atual rua que nasce nos fundos do balneário e acaba no portão da escola.

A parte baixa da Água Quente, Rua São Paulo e Av Nações era arrabalde, onde João Frederico cultivava uvas e Rafael Giorgi, outro funcionário graduado do fundador, iniciava suas construções nas duas bandas da Rua Marco Giovanolli.

Negar, quem há de?

Nosso fundador foi um empreendedor arrojado, visionário, um Italiano arretado. Onde será que ele arrumou tanto dinheiro para construir tudo que edificou?

Consta que o Tio Padre era rico mas nem tanto!

Os quatro hotéis e o balneário certamente davam um bom lucro – os hóspedes ficavam 15 dias, mas até que os hotéis ficassem prontos, para manter aquele formigueiro de empregados, era preciso muito dinheiro.

Eta Italianinho porreta!

Para garatujar essas mal traçadas linhas, recorri à Professora Ercy Bernardi Alencastro, ao Antônio João Gatolini (que pescava no lago do Corguinho) e ao João Biscuola pelas fotos a quem agradeço.

A Rua Santo Antônio. – Personagens de nossa história 10

De Fabiola de O. Criscuolo – supervisionado pelo Professor Ismael Rielli.

Dia desses, recebo um telefonema do longínquo Nordeste. Era Fabiola Criscuolo, minha aluna do Tozzi, da década de 80. Indagava-me se eu tinha a cópia de seu texto “A Rua Santo Antônio”, de 1984. Infelizmente, não tinha.

Coincidência curiosa e agradável. No acervo de livros e Lps adquiridos do Paulinho dos Moreiras, lá estava um opúsculo intitulado “Conte Pra Nós”-concurso de textos sobre cultura popular, um livreto patrocinado pelo FUMEST, na superintendência de Luiz Volgran, irmão do deputado Paulo Teixeira do PT.

O texto A Rua Santo Antônio de Fabiola de O. Criscuolo da EEPSG Dr Francisco Tozzi da estância hidromineral de Águas de Lindóia, orientador, Professor Ismael Rielli abiscoitou o terceiro lugar.

O finado saudoso Octavio Marchi muito colaborou com preciosas informações de quem lá passou a infância.

O texto é meio longo, mas vale a pena.

” O TEXTO”

A Rua Santo Antônio

A Rua Santo Antônio de hoje é bem diferente da rua que vou contar a história. Atualmente ela não recebe este nome, e sim o de praça Dona Filomena Tozzi.

Essa rua foi construída por volta de 1922 por Dr Francisco Tozzi, com a finalidade de abrigar 13 famílias nas 13 casas por ele construídas, as quais eram todas geminadas e cujos respectivos donos eram todos seus empregados. A rua era de terra batida, porém muito limpa e bem tratada pelos seus moradores. Em frente havia um gramado nativo e em declive, onde as crianças brincavam e as mulheres estendiam as roupas. Havia também duas torneiras que pingavam o tempo todo e ai as donas de casa lavavam suas roupas, mas para isso era necessário fazer a fila e quem levantava cedo tinha o privilégio de ser a primeira.

Era uma rua sem saída. Começava perto do antigo engarrafamento e terminava no grande pomar, o qual era totalmente cercado e ninguém podia entrar. Atrás das casas havia um minúsculo quintal que não possuía utilidade alguma, a não ser para guardar algo sem importância. Mas os moradores não podiam se queixar, pois não pagavam aluguel.

Um pouco mais acima das casas, situava se o depósito de frangos que abastecia os hotéis e que às vezes, quando o calor era intenso, exalava um perfume desagradável. As donas de casa tinham de fechar portas e janelas.

Em frente à rua a uma distância de 500 ou 600 metros, localizava-se a grande residência da família Tozzi. Nas proximidades da casa havia repartições de utilidade da empresa como padaria, armazém, escritório, etc. Na padaria trabalhava como padeiro o inesquecível Carmelino; no açougue o bondoso Ernesto Tafner e o Sr. Rafael Giorgi, que com sua voz macia branda conquistava o coração daquele povo. Mais abaixo havia a cozinha dos empregados cujo chefe era o Sr. Sebastião Galote e seu ajudante, o Sr. Miguel Franco, que também nas horas vagas criava galinhas, estas pertencentes a dona Filomena.

Durante o dia a rua era barulhenta, com crianças brincando e conversas de moradores. Mas ao anoitecer tudo era silêncio. O movimento ia até as 10 horas mais ou menos. Se passasse dessa hora, aparecia na janela de sua residência o Dr Tozzi com seu famigerado apito e até as crianças, que já o conheciam, paravam de chorar.

Os moradores da rua não podiam ter animais de espécie alguma; nem gato nem cachorro ou passarinho. O gato criava pulga; o cachorro fazia barulho e os passarinhos no viveiro ou na gaiola, com seu canto infernal os acordava muito cedo. Se houvesse alguma galinha, o que era muito difícil tinha de ser de dona Filomena.

Mas a rua não era só feita de brincadeiras de crianças, movimento de moradores durante o dia e silencio à noite. Havia também muitas brincadeiras comuns entre os moradores da rua, que em sua quase totalidade trabalhavam no Hotel Glória, hoje de propriedade do governo e administrado pelo FUMEST. Entre as brincadeiras, era costume dos operários , quando saiam do hotel por volta das 8 horas da noite, caminharem em direção ás suas casas cantando e improvisando versos e saudando os moradores da Rua Santo Antônio. O coro cantava em ritmo de samba sempre o mesmo estribilho:

– eu fui passar na ponte

A ponte estremeceu

A água tem veneno morena,

quem bebeu morreu.

E assim, todas as noites, de porta em porta, por toda a extensão da rua os moradores eram saudados com os singelos versos, pois a comunidade se constituía de pessoas humildes e ingênuas. Numa dessas noites de garoa forte lá vinha vindo o vate Firmino, parando de porta em porta, fazendo seus versinhos. Ele sempre parava em frente a uma das casas para homenagear alguém em especial. Numa dessas casas morava o Sr João Conti, cozinheiro do Hotel Glória. Paravam em frente a sua casa e o poeta Firmino da Silva, que era arrumador do Hotel Câmara, saudou o Sr. João Conti cantando:

– aqui, quando chove, chove bastante

A água passa por debaixo da ponte

Agora vamos saudar

O nosso amigo João Conti.

Acompanhando o negro Firmino, o coro repetia o famoso estribilho todas as noites:

– aqui quando chove, chove bastante…

Além desse divertimento para a população da rua, havia também, ás vezes, um baile na garagem, mas que não podia passar das 3 horas da manhã, se não da próxima vez não haveria nem baile nem nada.

Havia também as festas da Rua Santo Antônio. É claro que para elas se realizarem era necessária a permissão do Dr Tozzi. Dentre as festas que se realizavam principalmente no mês de junho e também julho, a mais famosa era aquela dedicada à Nossa Senhora das Graças, comemorada no dia 2 de julho. Havia também a festa de São Pedro comemorada no dia 29 de junho. O grande animador da festa, o negro Firmino, que estava sempre dançando no meio da congada vinda de Lindóia. Tocava um bumbo feito de coro de boi que enchia com seu som todo o bairro das Águas Quentes.

O povo da Rua Santo Antônio fazia grande fogueira ao redor da qual se promoviam rodas de samba, congadas e outras danças. Toda essa folia ia até o raiar do dia seguinte. Era um divertimento salutar, mas por demais simples, onde os improvisadores poetas faziam versos singelos. O coro formado por homens e mulheres, cantava a estrofe. Um verso que era cantado a noite toda, até o raiar do dia, dizia:

– amarelou…amarelou…

A barra do dia amarelou…

E o improvisador poeta entrando na roda de samba cantava:

Eu plantei um pé de tripa

Pra comer uma tripaiada

O pé de tripa morreu

Não comi tripa nem nada.

Tudo era alegria durante o dia da festa. As pessoas se reuniam para fazer barracas, fogueiras, enfeites e outros arranjos para festa. Nesta noite o famigerado apito do Dr Tozzi não funcionava. Tudo era maravilha! Porém com muita ordem e disciplina, pois caso contrário no próximo ano não haveria festa.

Havia na rua uma moradora que era um verdadeiro anjo da guarda. Esta sim,era uma boa criatura. E era através dela que tudo se arranjava, quer dizer, aquilo relacionada a festas e aos bailes. O Dr Tozzi tinha verdadeira adoração por ela, pois ele era seu pai! Seu nome? Dona Darinha!

O negro Firmino era quem mais se destacava na rua. Era o rezador da paróquia e, além disso, cantava no coro da igreja. Era também poeta. Fazia versos sempre baseados no abc…qualquer alegria ou tristeza que sentia, lá estava ele fazendo singelos versos onde descrevia cada morador da rua. Para ele todos eram maravilhosos. Além do negro Firmino havia o Zé Inácio. Este sim era quem animava os bailes. Não perdia um.

Quando chegava o sábado sempre havia um bailinho na casa de alguém que residia na rua, então o famoso Zé Inácio vestia seu impecável terno branco e não perdia uma só dança. Ele movimentava o baile. Chamavam-no de mestre-sala. Com isso, incentivava as mocinhas a dançarem, tendo o capricho de ensinar tanto as moças como os moços.

Era uma grande animação na época das festas. Mas depois a vida voltava ao normal e sempre na mesma rotina. As noites eram sempre quietas sem ter o que fazer em termos de diversão. Alguns tinham divertimentos mais particulares. Como os amigos do Sr. Otávio Marchi, filho de Alexandre Marchi, encanador daquela época, que em certas noites se reuniam ao seu redor para ouvi-lo contar os romances que lia. As estórias fantásticas de folhetos da época. Estórias de Romeu e Julieta, O Conde de Monte Cristo, as façanhas de Phantomas, etc. era tão grande a empolgação ao ouvir as estórias que muitos perdiam a noção do tempo. De repente alguém lá da janela estava com seu apito avisando que era hora de acabar com o barulho. Daí eram terminadas as façanhas nas quais estavam metidos.

Mas além de brincadeiras e festas havia também trabalho e escola para a criançada estudar.

Nesta rua funcionava uma escola mista que foi fundada por volta de 1930 e só foi desativada quando se criou o grupo escolar nas proximidades do Hotel Tamoyo. Ela foi criada pelo Dr.Francisco Tozzi e funcionava um só turno. Assim, era comum as classes com mais de 50 alunos, e havia uma só professora para as 1, 2 e 3 séries. A escola não possuía a 4 série uma vez que era uma escola rural e não um grupo escolar.

A primeira professora desta escola chamava-se Dona Maricota Afonseca. A segunda foi dona Mercedes Passos Tozzi. A terceira, Dona Nenê Zucato. A ultima professora de escolinha foi dona Célia Pascoli Coli. E assim funcionava a escola da Rua Santo Antônio, onde as crianças aprendiam a ler e escrever.

Nessa rua moravam muitas pessoas importantes, pessoas que vivem ainda hoje e outras que deixaram descendentes de grande influência na cidade, os quais fazem elevar o nome desta Águas de Lindóia, eram eles:

  • -Raul Domingues, pai do Sr. Vitor Domingues;
  • – José Gomes Amaral, pai de Dona Lola Gomes;
  • – João Moreira, cunhado do Sr. João Conti;
  • – Dona Juventina, mãe do Sr. Angelo Néspoli;
  • – Morangão;
  • – Messias Galote;
  • – Antônio Pirani;
  • – Aparecido Pirani;
  • – Constante Fiori;
  • – Alexandre Marchi, pai do Sr. Otávio Marchi;
  • – Guilherme Barbosa;
  • – Ernesto Tafner;
  • – Firmino Marciano da Silva;
  • – João Conti;
  • – Humberto Avancini;
  • – José Inácio da Silva;
  • – Luiz Barbosa, esposo de Dona Maria Amélia Barbosa.

Esses eram os moradores daquela rua que hoje não existe mais, mas que ficou na memória dos que lá viveram. Hoje tudo está mudado! Lá do alto da igreja Nossa Senhora das Graças, descortina-se o que outrora foi o grande pomar e uma rua bem limpinha de terra batida e sem saída. Mas chegou o progresso e com ele nada mais resta senão somente a saudade dos que ainda vivem, viram e sonham aquilo que ontem foi a Rua Santo Antônio.

Fotos: João Eduardo Biscuola.