Esse texto é ao mesmo tempo, resgate histórico e homenagem a uma grande mulher Eleta Gianotti Biscuola, parteira, benzedeira, conselheira para todas as horas, era para sua casa que as pessoas corriam na hora da aflição.
O Professor Ismael Rielli, através de sua escrita culta e divertida nos leva em uma viagem ao passado de Águas de Lindóia.
Sem palavras para agradecer esse presente.
Filhos e netos da grande parteira, que aparou a maioria das crianças que vieram ao mundo em nossas plagas, nas décadas de 30, 40, 50, inclusive esse escrevinhador, Eleta Gianoti Biscuola, moravam onde hoje estão o SAAE e a estação de tratamento d’agua, entre a rua Duque de Caxias – hoje rua São Paulo e o “Corguinho” bem mais volumoso naquela época, pródigo em seixos que o Miro Biscuola colhia, quebrava com uma marretinha e vendia para construções.
Eram 5 homens: Zé, Tião, Toninho, Nei e Miro e 2 mulheres – Maria da Leta, parteira e benzedeira como a mãe e a Cidinha esposa do Zé Felipe, motorista de caminhão.
Menor a população, menor o raio de convívio, eram comuns casamentos de dois irmãos com duas irmãs.. Foi o que aconteceu com Zé e Toninho que se casaram com duas filhas de Joaquim Augusto – Cidinha e Ditinha, cujos filhos são bi primos. As outras duas filhas do Joaquim Augusto eram a Maria do Zé Paulino e a Aracy Montoia do Gastão.
Maria da Leta, esposa do Zé Maria, cozinheiro do Tamoyo, era um pé de boi: vivia lavando roupa, benzia muitos que a procuravam, dom que transferiu para a filha Euridice, benzedeira de renome. Quando desapropriada sua casa, mudou pro sitio do Morro Pelado(Cabrita), onde ordenhava suas vacas e vendia leite.
Alugou um quarto de sua casa para um barbeiro vindo de Socorro, Romeu Nicoleti, que logo casou com a segunda filha – Euridice. Cibele a mais velha, já se casara com o farmacêutico Sodário.
Muitos Biscuolas foram barbeiros e também corretores de imóveis, por influencia de Romeu, o pioneiro. “O imóvel que lhe convém, Romeu tem”.
A barbearia do Romeu ficava no térreo do Hotel do Lago, que também acolheu o banco Itaú, o Bazar do Lago – sempre novidades, do Zé da Carola.
Depois Romeu mudou para a Rua São Paulo, ao lado da casa Confiança, perto do tintureiro Zé Fabricio e, depois, na mesma rua, pra loja do Felice. Romeu atendia muitos hóspedes e no espelho, afixava alguns anúncios de casas e lotes à venda de amigos e conhecidos. O negócio pegou “talmente” que Romeu encostou a navalha e a tesoura e virou corretor de imóveis = o Pioneiro.
Acompanharam-no na profissão os cunhados Dirceu e Darcy, os filhos Romeuzinho e Romualdo, os netos Otávio e Marcelo e o sobrinho Geraldo.
Lidavam com cabelo: Zé Biscuola, Décio, Darci, Nenê e Fernandinho.
Tião Biscuola, casado com Teresa Barbosa, foi um excelente pedreiro.
Nei Biscuola, da Marcilia, foi barman, por muitos anos do sofisticado Hotel Glória.
Toninho Biscuola trabalhava no DER, na topografia de estradas da região.
Miro foi pedreiro e pintor.
A propriedade do Clã Biscuola ficava na área nobre das Thermas.
Desapropriada pelo prefeito Aparecido Pirani para a instalação do SAAE, todas as casas foram pro chão, inclusive duas bem novas do: Zé Biscuola e do Dirceu, bem na beiradinha da rua.
Espero que tenham sido dignamente indenizados.
Maria da Leta foi pro Morro Pelado, Toninho pro Acre e Nei pra Grécia.
Daquela comunidade familiar – foto anexa – só resta saudade, muita saudade.
Adendo
No nosso penúltimo texto onde abordamos a Vila Roberto, não citei uma ilustre moradora que por lá passou.
Na terceira casa, estilo Alpino, da esquerda pra direita lá residiu, alternando com a capital a famosa escritora Maria José Dupré (Éramos Seis) que também se assinava como Sra Leandro Dupré. Alguns de seus livros como O Cachorrinho Samba foram escritos aqui.
Era intima e muito forte a relação do casal Dupré com a família do Serafim Parreira. Eva trabalhava pra eles. Adão frequentava-lhes a casa e Lourdes foi pra São Paulo com os Dupré, com quem conviveu por 3 ou 4 anos. Tivesse ficado, poderia ter-se tornado herdeira, já que o casal não teve filhos.
Outros escritores frequentadores da nossa estância: Lygia Fagundes Telles – Hotel Glória; Cecília Meireles – Hotel Tamoyo; José Gandra Martins, pai do Ives Gandra e do maestro João Carlos Martins.
Depois que os Dupré voltaram, definitivamente pra São Paulo, aquela casa foi alugada para uma família holandesa: os Kempers.
Foto
Viva Águas de Lindóia.












